Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

(Arquivo) O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos

(afp_tickers)

A Colômbia, comovida pelas expulsões de seus compatriotas nos últimos dias pelo governo de Nicolás Maduro, informará nesta segunda-feira no conselho permanente da OEA os maus-tratos que os colombianos na fronteira com a Venezuela sofreram.

"Parece incrível que tenhamos que dizer isso em pleno século XXI, mas vimos, atônitos, indignados, a deportação arbitrária e os maus-tratos de compatriotas, apenas pelo fato de serem colombianos e de não terem seus documentos em ordem", disse no domingo o presidente Juan Manuel Santos durante uma tradicional Caminhada da Solidariedade em Bogotá.

"Agora temos milhares de pessoas que cruzaram a fronteira, obrigadas ou pressionadas, deixando para trás seus lares, seus pertences, seus amigos e inclusive seus filhos", acrescentou o presidente.

Segundo números do governo colombiano, mil de seus compatriotas foram deportados nos últimos dias e mais de 6.000 retornaram ao seu país espontaneamente por medo de serem expulsos, ficarem separados de sua família e perder seus pertences.

A pedido da Colômbia, a crise na fronteira provocada pelo fechamento da fronteira por ordem de Maduro será abordada nesta segunda-feira em Washington no conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), e na próxima quinta-feira em uma reunião extraordinária dos chanceleres da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) em Quito.

"O que o governo nacional quer é mostrar e informar estes maus-tratos dos quais foram alvos os deportados, as pessoas que saíram da Venezuela forçadas, por temor, por medo, e basicamente que exista uma declaração quanto ao tratamento dos diferentes imigrantes", indicou no domingo a chanceler colombiana María Ángela Holguín.

"Mais do que tudo, queremos mostrar a maneira como trataram um povo que viveu na Venezuela com um imenso carinho, que também construiu parte deste país", acrescentou.

Em Cúcuta, 600 km a nordeste de Bogotá e epicentro da complicada situação humanitária gerada, a chanceler comemorou que nos últimos três dias não tenham sido registradas deportações, embora persista, em menor medida, o êxodo de colombianos que fogem da Venezuela carregando consigo seus pertences através do rio Táchira.

No domingo, a União Europeia afirmou que "o fechamento da fronteira entre a Venezuela e a Colômbia, seguido do deslocamento forçado de colombianos, coloca em risco o conjunto da situação humanitária, a segurança e a estabilidade na região fronteiriça".

Em resposta, o governo venezuelano classificou nesta segunda-feira de "imoral e hipócrita" o comunicado da UE.

"A Venezuela rejeita o imoral e hipócrita comunicado (...) que expressa, sem fundamento ou provas, graves advertências contra nosso país associados à decisão soberana de adotar medidas para combater o paramilitarismo colombiano, o narcotráfico e os ataques sistemáticos à economia venezuelana", afirma o texto emitido pela chancelaria.

O governo venezuelano acrescenta que são afirmações de "burocratas europeus que não têm moral para interferir em assuntos bilaterais que não lhes compete", responsáveis que são "pelas colossais tragédias humanitárias no Mar Mediterrâneo".

Caracas também informou o início de um censo em municípios fronteiriços nos quais mantém um fechamento por tempo indeterminado da fronteira com a Colômbia, onde prossegue o estado de exceção decretado pelo presidente Maduro, segundo o Diário Oficial desta segunda-feira.

"Foi criado o Registro Único para a Restituição dos Direitos Sociais e Econômico na Fronteira, com a finalidade de arrecadar e proporcionar informações atualizadas, que permitirão elaborar estatísticas oportunas e confiáveis que orientem a tomada de decisões", afirma o decreto de número 1.959.

A medida opera em seis dos 10 municípios do estado Táchira sujeitos o estado de exceção decretado em 21 de agosto por Maduro.

AFP