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(4 abr) Mulher remove pedras e lama em Mocoa em busca de parentes desaparecidos

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Soldados, policiais e voluntários aceleravam nesta quarta-feira os trabalhos de recuperação de Mocoa, cidade colombiana arrasada por um deslizamento que matou 293 pessoas, enquanto continuava a busca por desaparecidos.

A cidade colombiana, encravada na Amazônia, acordou nesta quarta-feira com o movimento de caminhões e máquinas que removiam terra em busca de sobreviventes de uma tragédia que deixou até o momento 293 mortos e mais de 300 feridos, além de centenas de desaparecidos.

"Infelizmente continua aumentando o número de pessoas falecidas no desastre. Esta manhã são 293 pessoas mortas e foram entregues a seus familiares 195 corpos", disse o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em declaração na Casa de Nariño, sede do governo e residência presidencial em Bogotá.

Santos explicou que, à medida que avançam os trabalhos de busca e salvamento, é possível ter maior clareza com o número de desaparecidos.

"Esta manhã 467 pessoas reportaram familiares desaparecidos. Delas, já se conseguiu localizar 153", das quais 119 foram encontradas com vida e 34 falecidas, detalhou o presidente.

Este balanço deixa uma diferença de 314 informes de pessoas consideradas desaparecidas, entre elas um canadense e um alemão.

Busca de familiares

No terreno, mais de 340 socorristas exploram lugares nos quais se acredita que possam existir corpos, embora muitas vezes interrompam seu trabalho vencidos pela lama e pelas pedras, e à espera da chegada de mais máquinas para ajudar nas buscas.

Santos informou que há 2.700 pessoas em sete abrigos, e destas, 1.518 foram registradas como afetadas até o momento.

O governo realiza campanhas de vacinação enquanto, entre os escombros, a cidade ressuscita. É possível ver pessoas cozinhando à lenha em algumas esquinas, casas se iluminando com velas ao cair da noite, além de caminhões de água indo e vindo.

Plantas para gerar água potável e geradores elétricos foram enviados à cidade, que teve interrompidos os serviços de água e luz.

Em alguns momentos passam caminhonetes que anunciam ajuda para animais feridos ou que foram abandonados após o deslizamento.

"Estabelecendo responsabilidades"

Ciente dos esforços para reerguer a cidade e encontrar desaparecidos, as autoridades iniciaram outro tipo de busca: a de justiça.

"É preciso estabelecer responsabilidades (...) Mas não é o tema repressivo, é o tema preventivo. De que valem todas as sanções impostas agora, contra 260, 270 mortos", disse o controlador-geral, Edgardo Maya, cuja entidade - que vigia a gestão fiscal e a administração do erário - investigará possíveis responsabilidades de funcionários nesta tragédia.

Por sua vez, a Procuradoria planeja citar o atual prefeito de Mocoa e a governadora de Putumayo, assim como seus antecessores, segundo versões da imprensa.

No fim de semana, a acusação já tinha informado sobre a abertura de investigações para estabelecer se as autoridades locais e nacionais cumpriram sua responsabilidade.

Enquanto isso, a Procuradoria, que investiga as irregularidades cometidas por funcionários públicos, fez um apelo para que sejam adotadas medidas urgentes que possam prevenir tragédias como a de Mocoa.

Roubos a casas

Centenas de pessoas recebem ajuda nos abrigos, mas outras preferem montar guarda em suas casas destruídas para evitar o roubo do pouco que restou.

"Um dia após o deslizamento fomos tirar as coisas. Quando voltamos, no mesmo dia à tarde, os ladrões já haviam arrasado tudo (...) o que o deslizamento não fez, eles fizeram", contou à AFP Juan Luis Hernández, de 33 anos, no muito afetado bairro de San Miguel.

A comunidade alertou para saques nas casas abandonadas, e o presidente Juan Manuel Santos pediu que a polícia reforce as medidas de segurança.

O deslizamento, registrado por volta da meia-noite de sexta-feira após a cheia de três rios depois de fortes chuvas, afetou cerca de 45.000 habitantes.

Em Mocoa vivem 70.000 pessoas, disse à AFP a governadora de Putumayo, Sorrel Aroca.

Ressurgir

Segundo um estudo, a tragédia de Mocoa pode se repetir em outros 385 lugares da Colômbia, e supera o último grande desastre natural sofrido pelo país, um deslizamento em Salgar que matou 92 pessoas em maio de 2015.

O ministro da Defesa e gerente da Reconstrução, Luis Carlos Villegas, assegurou que a edificação casas começará em pouco tempo e que as primeiras serão entregues nos próximos doze meses e estarão distantes das zonas de perigo.

A conclusão da infraestrutura coletiva pode levar até dois anos, reiterou.

Para responder ao desastre com rapidez, Santos decretou emergência econômica, social e ecológica. Na quarta-feira, o presidente Santos anunciou uma doação de 7 milhões de dólares dos Emirados Árabes e outra de 300.000 euros da Itália.

O governo pretende aplicar o mecanismo de "impostos por obras" para que o setor privado participe na reconstrução de infraestrutura e depois desconte o valor investido em impostos.

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