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O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em Bogotá, no dia 15 de junho de 2016

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A Colômbia sabe que apesar de ter conquistado a paz com as Farc após a assinatura do histórico acordo de cessar-fogo com essa guerrilha, a negociação com o ELN (Exército de Libertação Nacional), segundo grupo rebelde, é crucial para acabar com o conflito armado.

Jornalistas, intelectuais e diplomatas estrangeiros visam o ELN (guevarista) e a necessidade de um diálogo formal do governo de Juan Manuel Santos com essa guerrilha, como havia sido anunciado no fim de março.

"Refletores sobre o ELN" foi como o jornal "El Tiempo" intitulou seu editorial de segunda-feira, advertindo que depois do acordo selado em Havana na semana passada entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo para acabar com mais de meio século de confrontos, a direção do ELN deve tomar "uma decisão transcendental".

"Ou retoma o caminho mais sensato de entendimento ou terá que ser submetida às forças do Estado, que não pode permitir que, enquanto chega a um acordo histórico com um grupo armado (...) outro ganhe espaço", assegurou o jornal.

O ELN e o governo anunciaram no dia 30 de março o próximo diálogo formal após dois anos de práticas secretas. No entanto, ainda não foi concretizado porque Santos pediu que essa guerrilha abandone primeiro as operações de sequestro e os rebeldes se negam a fazer "gestos unilaterais".

"O ELN não era uma força com tanta resistência como as Farc e é um erro que insista no sequestro. É importante que não fique fora da paz, porque senão se tornará alvo principal da força pública, submetendo guerrilheiros e civis em suas áreas a muitos riscos", disse à AFP León Valencia, diretor da Fundação Paz e Reconciliação.

Para Valencia, desmobilizado do ELN nos anos 1990, "o governo tem muito interesse que o ELN entre para as negociações, entre outras coisas, por ser uma preocupação para os 'farianos' (membros das Farc), porque quando uma guerrilha fica na guerra, a primeira coisa que faz é agredir quem sai e dominar suas áreas".

O mesmo ELN advertiu que o confronto com outros grupos armados irá expor "uma grande dificuldade na implementação" do cessar-fogo bilateral com as Farc, ao pedir que se juntem, antes de sentar para negociar.

O governo não respondeu essa petição e fontes próximas ao processo recordaram à AFP que a condição segue sendo a mesma que Santos reiterou: que parem com o sequestro.

Ao acordar o cessar-fogo com as Farc, que entrará em vigor após a assinatura do acordo final, intelectuais colombianos publicaram uma carta aberta ao Exército de Libertação Nacional para dizer que "se abre uma oportunidade que não poderia ser melhor" para que exista "outro protagonista da paz".

Esta semana, a plataforma "Por uma paz completa", que persegue a abertura do diálogo com o ELN, se reuniu com diplomatas estrangeiros para discutir formas de impulsionar essa negociação.

AFP