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Ciranças colombianas são vistas durante campanha das forças armadas para desecorajar jovens do recrutamento das Farc, em Algeciras, Colômbia, no dia 7 de dezembro de 2015

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O Ministério Público da Colômbia pediu nesta quarta-feira a criação de uma comissão nos diálogos de paz com as Farc sobre o tema da infância no conflito armado, após considerar que não se deu a devida "importância" ao tema.

Um relatório da organização que defende os direitos humanos na Colômbia e outras entidades nacionais e internacionais, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), sugere "criar uma comissão especial na mesa de negociações com enfoque na infância para garantir o princípio de interesse superior de meninos e meninas, acabar com o recrutamento ilícito e prescrever toda forma de participação da população infantil no conflito", assegurou a Defensoria em um comunicado.

"O capítulo da infância não teve a força necessária em Havana", disse o promotor Jorge Otálora, na apresentação do informe sobre os diálogos que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo de Juan Manuel Santos mantêm desde novembro de 2012 para por um fim ao conflito armado que dura mais de meio século.

O informe pede, ainda, que se construa "uma base de dados de quantas crianças pertenceram à guerrilha das Farc, em que condições físicas se encontram e desde já iniciar a entrega destes menores, o fim do recrutamento" e a entrega de corpos dos que morreram em suas fileiras.

Enquanto isso, Otálora pediu ao governo para definir como vai "receber estas crianças, quais planos e programas o Estado colombiano têm para reinseri-los na sociedade, para reinseri-los em suas famílias".

Em junho, as Farc anunciaram que esperavam selar um acordo em Cuba para a entrega dos guerrilheiros menores de 15 anos, depois de, em fevereiro, se comprometerem a não recrutar mais menores de 17 anos.

Embora não haja dados precisos sobre crianças e adolescentes combatentes na Colômbia, o estatal Instituto de Bem-estar Familiar atendeu, desde 1999, mais de 5.000 crianças desvinculadas de grupos armados.

Além disso, a estatal Unidade de Reparação de Vítimas tem registrados 2,3 milhões de menores de idade como vítimas do conflito armado, segundo cifras citadas pelo MP colombiano.

O conflito interno na Colômbia deixou oficialmente pelo menos 220 mil mortos e seis milhões de deslocados.

AFP