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(1 set) Tropas das forças especiais venezuelanas na fronteira com a Colômbia

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A Colômbia revisará sua doutrina militar frente ao pós-conflito, com ajuda dos EUA e da Otan, anunciou nesta sexta-feira o Exército colombiano, assim que o governo e a guerrilha das Farc acordaram uma data limite para firmar a paz nas negociações em Cuba.

Ante a possibilidade de as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, comunistas) deixarem as armas após meio século de rebelião, "tomamos a decisão de realizar, visto o momento estratégico que vive o Exército da Colômbia, a primeira revisão formal e total de toda a doutrina militar", disse o comandante do Exército, o major-general Alberto Mejía.

Para tanto, "teremos o apoio não apenas dos Estados Unidos, mas também de forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e instituições fundamentais no manejo de normas sobre o conflito armado", acrescentou Mejía durante o fórum "O Exército do futuro: entre transformação e doutrina para construir a paz", da privada Universidade del Rosário, em Bogotá.

Na luta contra a guerrilha e contra o tráfico de cocaína, da qual a Colômbia é o principal exportador mundial, o Estados Unidos têm sido, há cerca de vinte anos, um importante aliado do governo colombiano.

Na quarta-feira, no marco do processo de paz que o governo colombiano e as Farc sustentam em Cuba há quase três anos, as partes alcançaram um acordo crucial sobre a "Jurisdição Especial de Paz" para os atores do conflito armado colombiano.

Além disso, definiram como data limite para firmar a paz o próximo dia 23 de março e estabeleceram que os guerrilheiros deixariam as armas no máximo 60 dias depois de firmarem um acordo final.

No mesmo fórum, o general reformado Jorge Enrique Mora, membro da delegação do governo em Havana, agregou que a virada da doutrina militar colombiana, com enfoque na luta contra a guerrilha, faz com que "a mesma instituição que entende o que está ocorrendo no país entenda que estamos passando por uma mudança na vida nacional".

"Isto nos fará trazer mudanças estruturais na própria instituição", ainda que "não por imposição das Farc nem da mesa de negociação", concluiu Mora.

No conflito armado colombiano que deixou ao menos 220 mil mortos e mais de seis milhões de desabrigados, participaram as Farc, com cerca e 7 milhões de combatentes segundo números oficiais, e outras guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita, forças militares e quadrilhas de narcotraficantes.

AFP