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(Arquivo) Pessoas deslocadas pela violência são vistas no parque de Santa Rosas de Osos, no departamento de Antioquia, Colômbia, no dia 8 de novembro de 2012

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A Colômbia superou a Síria como país com mais deslocamentos internos forçados, com 6,9 milhões de pessoas na últimas três décadas que abandonaram seus lares por conta da violência, o que corresponde a 14% da população, informou nesta segunda-feira a Agência da ONU para os Refugiados.

"A Colômbia, com uma crise prolongada, continuou sendo o maior país com deslocamento interno (6,9 milhões)", indicou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) em comunicado fechado conjuntamente em sua sede de Genebra e em Bogotá, onde esclareceu que o número corresponde ao dado acumulado desde 1985 até 2015 de vítimas reconhecidas pelo governo colombiano.

Nesta categoria de deslocamento interno que a Colômbia lidera, o relatório situa a Síria em segundo lugar, com 6,6 milhões, seguida do Iraque, com 4,4 milhões.

Com uma população de 48 milhões de pessoas, a Colômbia vive um conflito armado de mais de meio século, que envolveu guerrilhas, grupos paramilitares e forças do Estado, em um cenário que também sofre com a violência dos grupos narcotraficantes.

Além dos 6,9 milhões de deslocados, a conflagração interna colombiana já deixou 260.000 mortos e 45.000 desaparecidos, entre outras vítimas de sequestro, violência sexual, desapropriação, recrutamento de menores e minas terrestres.

Desmobilizados os grupos paramilitares em instâncias do governo entre 2003 e 2006, o presidente Juan Manuel Santos impulsiona há quase quatro anos um processo de paz com a principal guerrilha, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas).

Os diálogos, com sede em Cuba desde novembro de 2012, se encontram em sua reta final, com um cessar-fogo unilateral das Farc declarado em julho passado, e o seguinte cessar dos bombardeios por parte do governo.

A estatal Defensoria do Povo, que cuida dos direitos humanos na Colômbia, destacou nesta segunda a incidência do processo de paz na redução do deslocamento forçado, ainda que tenha alertado sobre outras ameaças, como o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista), segunda guerrilha ativa, e os grupos criminais surgidos a partir da desmobilização dos paramilitares.

"Apesar da diminuição de 44% nos números deste fenômeno estritamente ligado ao conflito armado (...) o acumulado de pessoas desabrigadas segue sendo alto", advertiu a Defensoria em um comunicado.

O órgão humanitário manifestou também sua "preocupação diante da crescente relação entre o deslocamento forçado e fatores como a mineração ilegal e os interesses ao redor da restituição de terras".

AFP