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O Alto Comissário para a Paz, Sergio Jaramillo, em Bogotá, no dia 29 de novembro de 2016

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A Colômbia revisará a lista de membros das Farc que participam do processo de paz para impedir que narcotraficantes tenham acesso a benefícios previstos para guerrilheiros, como ocorrido há uma década com a desmobilização de grupos paramilitares, informou uma fonte oficial nesta segunda-feira (6).

"O governo (...) recebe de boa fé parte do grupo armado (Farc) e os seus integrantes listados, porém, neste caso, diferentemente do passado, nos reservamos o direito a revisar esta lista", anunciou em uma coletiva de imprensa o Alto Comissário para a Paz, Sergio Jaramillo.

O funcionário, encarregado de intermediar os diálogos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que permitiram selar um histórico acordo de paz em novembro após meio século de conflito, insistiu em que se as autoridades detectarem que alguém que aparece como membro da guerrilha não for insurgente, será entregue à Justiça.

"Se tivermos informação positiva de que algum homem ali não é membro das Farc, então o governo comunicará às Farc: 'senhores, essa pessoa não pertence à sua organização e não deve constar da lista'", constatou.

Esse é o caso de Segundo Villota, que segundo o Ministério Público, havia sido registrado como membro das Farc para adiar sua extradição aos Estados Unidos por narcotráfico, contou Jaramillo.

"Insisto: o governo nunca aceitou esse nome e assim informamos às Farc", enfatizou.

A Justiça comunicou dias atrás que o patrulheiro Manuel Riascos foi preso, porque segundo a investigação teria se credenciado com informações fraudulentas como militante das Farc de Villota, conseguindo, assim, adiar seu processo de extradição.

Situações similares ocorreram durante a desmobilização de milícias irregulares de extrema direita, promovidas pelo governo de Alvaro Uribe entre 2003 e 2006. Na ocasião, traficantes de drogas se fizeram passar por paramilitares para obter os benefícios jurídicos estabelecidos nesse processo e evitar, assim, serem enviados aos Estados Unidos.

Jaramillo comemorou que até agora 5.784 guerrilheiros de um total de aproximadamente 6.300 já estejam localizados nas 26 zonas previstas para seu desarmamento e preparação para a vida civil, sob supervisão da ONU.

"A operação está praticamente acabada", afirmou.

AFP