Milhares de manifestantes pró-democracia em Hong Kong iluminaram nesta sexta-feira com tochas, lanternas ou telefones celulares duas colinas locais aproveitando a abertura de tradicionais festividades.

O calendário chinês celebra o outono por meio de festas de natureza geralmente familiar.

Mas milhares de militantes usaram essa desculpa para escalar Lion Rock, que tem vista para os arranha-céus de Kowloon, um dos lugares mais densamente povoados do planeta, para acenar com tochas e velas.

Outros formaram uma longa cadeia humana no Pico, que oferece uma vista espetacular sobre a cidade e sua fachada marítima.

Os participantes de ambas as concentrações cantaram slogans a favor da democracia e de um hino que se tornou viral nos últimos dias entre os que protestam: "Glória a Hong Kong".

"As festividades do outono simbolizam a família e o fato de estarem juntas. Trata-se, portanto, de expressar o espírito de união do povo de Hong Kong", disse à AFP Yip, um dos manifestantes que escalou o Lion Rock.

Hong Kong está passando pela pior crise política desde seu retorno à China em 1997, com manifestações e protestos quase diariamente, que em alguns casos resultaram em violentos confrontos entre radicais e forças de segurança.

O torneio internacional feminino de tênis de Hong Kong aumentou nesta sexta a lista de eventos esportivos e culturais antecipados, ou anulados, por causa da onda de manifestações na ex-colônia britânica.

Os organizadores do Open WTA de Hong Kong, previsto para acontecer no início de outubro, anunciaram seu adiamento por tempo indeterminado, aludindo à "situação atual" no território.

- Bem-estar em Singapura -

Um dos eventos esportivos mais prestigiosos da cidade, o Aberto de Tênis da WTA em Hong Kong contou, em edições passadas, com a participação de várias das principais jogadoras do circuito, como Venus Williams, Angelique Kerber e Caroline Wozniacki. Esta última foi campeã em 2016.

Tradicionalmente, este torneio é disputado no Victoria Park, um dos principais pontos de concentração das multitudinárias manifestações.

Os protestos começaram em junho, em rejeição a um projeto de lei de Hong Kong, autorizando extradições para a China.

Embora o texto tenha sido suspenso em definitivo, os promotores dos protestos ampliaram sua pauta de reivindicações, para pedir reformas democráticas e denunciar o retrocesso das liberdades na ex-colônia britânica, assim como a crescente ingerência de Pequim nos assuntos internos da região semiautônoma.

Os protestos começam a ter efeito na economia da cidade, já afetada pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, e resvalam na reputação de estabilidade de Hong Kong.

Cada vez mais artistas anulam, ou adiam, suas apresentações na cidade. Foi o caso do cantor sul-coreano Kang Daniel, do grupo GOT7 e do sul-africano Trevor Noah, um dos comediantes e apresentadores mais conhecidos dos Estados Unidos.

O Global Wellness Summit (GWS), um salão para profissionais da economia do bem-estar, será organizado em Singapura.

- "Garantir a segurança" -

Na quinta-feira, os produtores do musical Matilda, uma adaptação do livro infantil de Roald Dahl, anunciaram seu cancelamento, a uma semana do início do espetáculo.

O teatro onde seria realizada a peça fica perto da sede da polícia, que tem seus arredores tomados por confrontos entre policiais e manifestantes radicais.

"Infelizmente, estas 14 semanas de instabilidade em Hong Kong despencaram a venda de ingressos e, o que é mais importante, não podemos garantir a segurança e a tranquilidade da nossa companhia internacional, formada, em grande parte, por crianças", declarou James Cundall, diretor da Lunchbox Theatrical Productions, produtora do espetáculo.

Estes cancelamentos afundam ainda mais o setor turístico da cidade, já abalado pelos protestos.

Em agosto, Hong Kong registrou uma queda de 40% no número de turistas, em relação ao mesmo período em 2018, disse o secretário local das Finanças, Paul Chan.

A taxa de ocupação dos hotéis caiu pela metade, o que teve grande impacto nos pequenos estabelecimentos comerciais e no setor de alimentos.

A companhia aérea Cathay Pacific informou, na quarta-feira, uma diminuição de 11,3% em um ano de seu fluxo de passageiros em agosto. Este mês foi marcado por manifestações no aeroporto, que causaram o cancelamento de centenas voos.

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