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Agente da polícia colombiana ajuda mulher a carregar seus pertences enquanto atravessam o rio Tachira, na fronteira entre Venezuela e Colômbia, no dia 25 de agosto de 2015

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Com colchões, móveis e geladeiras, centenas de colombianos fugiam nesta terça-feira de suas casas na Venezuela diante do temor de perder tudo com uma eventual expulsão por parte das autoridades, como ocorreu com mais de mil de seus compatriotas, deportados em meio à atual crise.

Com água até a cintura no rio que serve de fronteira natural entre o estado venezuelano de Táchira e o departamento de Norte de Santander, na Colômbia, pessoas humildes voltavam a seu país com a ajuda da polícia, enquanto em Bogotá o governo do presidente Juan Manuel Santos defendia uma solução diplomática para a crise.

"Decidimos partir às três da manhã. Viemos antes de ser deportados", disse Rosana Moreno, uma colombiana de 25 anos que morava na comunidade de Mi Pequeña Barinas, de onde nesta terça-feira fugiam centenas de pessoas.

"A polícia colombiana colabora, a venezuelana, não", revelou Moreno, em fuga com seus dois filhos, enquanto seus vizinhos acusavam os militares venezuelanos de roubo durante as operações de expulsão ou "recolocação".

Em uma cena digna de Macondo, o povoado fictício de Gabriel García Márquez, crianças chorando e cães latindo seguiam em uma longa fila indiana de pessoas carregando seus pertences e cantando o hino nacional da Colômbia, em direção ao rio que marca a fronteira.

Segundo o coronel Jorge Barrera, comandante da Polícia de Cúcuta, capital do Norte de Santander, "passaram pelo rio, sem ser deportados, entre 400 e 700 pessoas".

"O problema é bem grande e temos 120 homens e 12 caminhões" para atendê-los, declarou Barrera.

A crise começou na sexta-feira, quando entrou em vigor o estado de exceção de 60 dias decretado pelo presidente venezuelano, Nicolás Maduro, na zona da fronteira com a Colômbia, após um ataque de desconhecidos que feriu três militares e um civil venezuelanos na cidade de San Antonio de Táchira durante uma operação contra contrabando.

A medida, que provocou a deportação de mais de mil colombianos supostamente em situação ilegal na Venezuela, veio acompanhada pelo fechamento de parte da fronteira.

Para enfrentar a crise, Santos estava reunido nesta terça-feira, em Bogotá, com a Comissão de Assessoria das Relações Exteriores, formada por ex-presidentes, ex-chanceleres e congressistas.

Nesta quarta-feira, em Cartagena, haverá uma reunião entre as chanceleres de Colômbia, María Ángela Holguín, e Venezuela, Delcy Rodríguez.

Colômbia e Venezuela compartilham uma porosa fronteira de 2.219 km, na qual ambos denunciam a presença de quadrilhas que lucram com o contrabando de combustível e outros produtos fortemente subsidiados pelo governo venezuelano.

AFP