Com "Dolor y gloria", que será apresentado nesta sexta-feira (17) em Cannes, Pedro Almodóvar espera conquistar finalmente a Palma de Ouro, após cinco tentativas - a primeira delas há 20 anos com "Tudo sobre minha mãe".

Mas a relação do cineasta espanhol, de 69 anos, com o evento francês é bem anterior.

"Meu primeiro Festival de Cannes foi em 1983. Fui com Javier Garcillán, o produtor de 'Labirinto das paixões' para exibir essa produção no Mercado" de filmes, disse à AFP. "Não veio muita gente ver. Mas foi muito emocionante", completou.

Além de apresentar várias produções, Almodóvar também integrou o júri do Festival de Cannes, em 1992 e em 2017, ano em que foi presidente.

- "Tudo sobre minha mãe" (1999) -

Apesar de toda expectativa, "Tudo sobre minha mãe" não ganhou a Palma de Ouro, que foi para "Rosetta", dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne. No mesmo ano, Almodóvar teve de se contentar com o prêmio de melhor direção. Agora, em 2019, Jean-Pierre e Luc Dardenne estão de volta com "Le Jeune Ahmed" (ainda sem título em português).

Da primeira experiência, Almodóvar tem uma "lembrança maravilhosa", pois o filme agradou tanto ao público quanto à crítica, "o que não é frequente", explicou recentemente ao jornal francês "Le Journal du Dimanche" (JDD). "Sentir ao vivo o amor do público foi especialmente emocionante", recordou.

- "Volver" (2006) -

Em 2006, foi o britânico Ken Loach, com "Ventos da liberdade", que ficou com o prêmio. "Volver" venceu nas categorias de melhor roteiro e atriz, premiação que, de maneira inédita, foi dividida entre as seis intérpretes do elenco (Penélope Cruz, Carmen Maura, Bianca Portillo, Chus Lampreave, Yohanna Cobo e Lola Dueñas).

Ao final da projeção de "Volver", Almodóvar viveu um dos momentos mais emotivos na Croisette: "Foi quando sequei as lágrimas de emoção que inundavam o lindo rosto de Penélope Cruz", contou ao JDD.

- "Abraços partidos" (2009) -

Três anos depois, Almodóvar, novamente com Penélope Cruz, retornou ao tapete vermelho de Cannes para mais uma vez concorrer à Palma de Ouro. Entre seus "adversários", estavam Quentin Tarantino, Ken Loach, Elia Suleiman e Marco Bellocchio, um quarteto que também está de volta à edição deste ano.

O prêmio máximo acabou ficando com "A fita branca", do austríaco Michael Haneke.

- "A pele que habito" (2011) -

Agora sem Penélope Cruz, o cineasta espanhol tentou novamente com "A pele que habito", protagonizado por Elena Anaya e Antonio Banderas. Na seleção, destacaram-se mais uma vez os cineastas assíduos no evento, como os irmãos Dardenne e o americano Terrence Malick. "A árvore da vida", deste último, levou a estatueta.

O diretor de fotografia do filme, José Luis Alcaine, colaborador habitual de Almodóvar, ganhou o prêmio Vulcain de melhor artista-técnico.

- "Julieta" (2016) -

Na mostra competitiva de 2016, voltou a encontrar os irmãos Dardenne e Ken Loach e teve ainda a concorrência do brasileiro Kleber Mendonça Filho, Xavier Dolan e Jim Jarmusch - três que também disputam a Palma de 2019. Acabou que a vitória foi, pela segunda vez, do britânico Loach, com o drama social "Eu, Daniel Blake".

Daquela edição, o espanhol relembra que se surpreendeu pelo fato de o filme "Toni Erdmann", da alemã Maren Ade, não ter conquistado nada. O prêmio é fruto "da decisão de nove integrantes do júri e, às vezes, não corresponde ao gosto dos espectadores, ou da imprensa", afirmou, também na entrevista ao JDD.

- "Dolor y gloria" (2019) -

No filme mais introspectivo de Almodóvar, Antonio Banderas interpreta um cineasta solitário no crepúsculo de sua carreira, enquanto Penélope Cruz encarna a mãe do diretor. Lançado em março na Espanha, o mais recente trabalho do diretor teve um excelente desempenho de bilheteria no país de origem.

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