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A presidente Dilma Rousseff recebe o presidente russo Vladimir Putin; o chinês, Xi Jinping e o sul-africano, Jacob Zuma, em 15 de julho de 2014, em Fortaleza

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Críticos à hegemonia de Estados Unidos e Europa, os líderes emergentes do BRICS iniciaram nesta terça-feira em Fortaleza sua sexta cúpula, na qual pretendem lançar um banco de desenvolvimento do grupo e um fundo de reservas bilionário.

A presidente Dilma Rousseff recebeu pessoalmente cada um dos chefes de Estado - o presidente russo Vladimir Putin; o chinês, Xi Jinping; o sul-africano, Jacob Zuma; e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi- no centro de convenções onde acontece o encontro.

Dilma afirmou que as novas instituições financeiras do BRICS "beneficiarão aos países emergentes e em desenvolvimento". A presidente ressaltou que o acordo que disponibilizará reservas internacionais dos cinco países para assistência mútua em momentos de crise vai contribuir para reduzir a volatilidade enfrentada por muitas economias emergentes, como ocorreu no ano passado, quando os Estados Unidos puseram fim à sua política de expansão monetária. "Será uma espécie de rede de proteção aos países do BRICS", disse pouco antes de entrar na reunião.

Os mandatários vão discutir a criação do banco e os detalhes do acordo de reservas, que constituem uma nova arquitetura financeira para essas potências emergentes que representam 20% do PIB mundial e 40% da população.

- Um banco sob medida -

O banco, destinado a financiar obras de infraestrutura, deve contar com um aporte de capital de 50 bilhões de dólares, a serem divididos igualmente entre os integrantes e dos quais 10 bilhões serão pagos em dinheiro, de acordo com fontes do Ministério da Fazenda.

Mas ainda não há acordo sobre onde será a sede da instituição, que conta com as candidaturas de Moscou, Xangai e Nova Déli. A decisão deve ser tomada pelos mandatários, disse o ministro sul-africano de Comércio, Rob Davis.

Para o ministro de Indústria e Comércio, Mauro Borges, "o novo banco de desenvolvimento é fundamental para impulsionar o crescimento nos países do BRICS, que já não registram os grandes aumentos do PIB de uma década atrás". O banco deve se dedicar ao financiamento de obras de infraestrutura de que os cinco países precisam para se desenvolver.

Os 100 bilhões de dólares de aporte do fundo serão provenientes das respectivas reservas internacionais de cada país no caso de problemas na balança de pagamentos de um dos membros. A China vai contribuir com 41 bilhões de dólares, enquanto Índia, Rússia e Brasil concederão 18 bilhões cada um e a África do Sul, 5 bilhões.

Os dois organismos exercerão um papel paralelo ao do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

Em Fortaleza, os países do BRICS vão manifestar seu descontentamento com a estagnação da reforma do FMI, que deve dar mais poder aos emergentes.

Em uma entrevista à agência russa Itar-Tass anterior à cúpula, o presidente russo criticou a "lentidão irracional" dessa reforma.

- Questões delicadas na pauta -

Putin chega à cúpula do BRICS isolado na comunidade internacional pela crise da Ucrânia, chegando a ser excluído do G8.

Kiev, Estados Unidos e Europa acusam Moscou de armar e financiar separatistas pró-russos do leste da Ucrânia, que travam violentos confrontos com as forças de segurança ucranianas.

Antes da reunião, a presidente Dilma informou que o BRICS vai se posicionar sobre a Ucrânia.

Para o primeiro-ministro indiano, esta é sua primeira grande viagem internacional. O líder nacionalista teve nesta segunda-feira em Fortaleza sua primeira reunião bilateral com o chinês Xi Jinping.

Ambos os lados enfatizaram a necessidade de resolver suas disputas de décadas na fronteira e a importância de fortalecer os laços econômicos e diplomáticos, de acordo com um comunicado do governo indiano.

O presidente chinês aproveita sua temporada na América Latina para reafirmar seu interesse na região, onde compete com Estados Unidos pela supremacia comercial. Na quinta-feira, será lançado em Brasília o Fórum China-América Latina, com a participação de líderes dos países latino-americanos.

AFP