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Um peshmerga (combatente curdo) faz o sinal da vitória em um veículo de guerra, em meio à luta contra os jihadistas do Estado Islâmico, 20 quilômetros a leste de Mossul.

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Forças curdas apoiadas por aviões americanos mantinham nesta segunda-feira sua ofensiva contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI), após retomarem o controle da represa mais importante do Iraque, em um contexto de crescente envolvimento militar de Washington e Londres.

A retomada da represa de Mossul, no norte do Iraque, foi o maior revés infligido aos combatentes do EI desde que lançaram sua grande ofensiva no norte do Iraque em junho, levando as forças de segurança iraquianas a fugir.

Um porta-voz da Segurança iraquiana, o tenente-general Qasem Atta, confirmou que a represa de Mossul foi completamente liberada graças a uma operação conjunta de "forças antiterroristas (iraquianas) e forças peshmergas (curdas) com apoio aéreo".

Depois de terem retomado no domingo a represa de Mossul, as forças curdas lutavam contra os jihadistas na cidade de Tal Kayf, a sudeste desse local, onde um "pequeno número" de combatentes ultra-radicais ainda resiste, indicou um oficial curdo.

"Os aviões bombardeiam e os peshmergas avançam", declarou um combatente curdo.

A aviação americana realizou ao menos 30 ataques, em três dias, para apoiar as tropas curdas e iraquianas em terra.

Jornalistas da AFP viram colunas de fumaça em uma área atacada após um sobrevoo de aviões de combate perto da represa situada a 50 km de Mossul, bastião do EI conquistado no segundo dia de sua ofensiva.

De acordo com o Exército americano, 15 ataques atingiram posições do EI mas imediações da represa. No domingo, 14 ataques foram efetuados na mesma região, um dos bombardeios mais fortes contra o EI desde o início dos ataques americanos, em 8 de agosto.

A ameaça dos jihadistas

O presidente americano, Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira que os Estados Unidos seguirão uma missão de "longo prazo" para derrotar os insurgentes do Estado Islâmico.

"Continuaremos seguindo uma estratégia de longo prazo para reverter a tendência contra o EI, apoiando o novo governo iraquiano e trabalhando com os aliados na região", disse Obama na Casa Branca.

O EI "representa uma ameaça para todos os iraquianos e toda a região. Dizem que representam as demandas dos sunitas, mas têm massacrado homens, mulheres e crianças sunitas".

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, reafirmou que "não vai embarcar em uma guerra no Iraque" com tropas terrestres, mas destacou que seu governo "fornecerá armas às forças curdas".

No domingo, Cameron disse ao Sunday Telegraph que algum grau de envolvimento militar no Iraque se justifica devido à ameaça que a instauração de um estado terrorista representaria para a Europa e seus aliados.

O ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, afirmou que o compromisso de Londres com o Iraque pode durar vários meses.

O Iraque está mergulhado no caos desde que os jihadistas sunitas iniciaram uma ofensiva no dia 9 de junho ao norte de Bagdá, que se estendeu no início de agosto às localidades próximas à região autônoma do Curdistão.

Após o lançamento desta ofensiva, as forças curdas tomaram o controle de várias zonas do norte do país abandonadas pelas forças iraquianas e lançaram um projeto de referendo de independência do Curdistão no início de julho.

Em dois meses de violência, as potências ocidentais, aliviadas com a saída do polêmico primeiro-ministro Nuri al-Maliki - acusado de semear o caos no país com sua política de exclusão dos sunitas -, enviaram ajuda humanitária às centenas de milhares de refugiados que fugiam dos jihadistas, assim como armas às forças curdas.

Os Estados Unidos incluíram em sua lista negra de "terroristas internacionais" o porta-voz do EI, Abu Mohamed al-Adnani, que havia anunciado em nome de seu grupo a criação do califado e pedido a tomada de Bagdá.

AFP