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(3 jul) Posto de controle em Campala

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Um conflito tribal levou à morte de cerca de 100 pessoas durante os combates registrados desde o último fim de semana entre as tropas ugandesas e homens armados no oeste de Uganda, perto da fronteira com a República Democrática do Congo (RDC).

"Desde que a operação começou, nós matamos 75 agressores", declarou à AFP o porta-voz regional do Exército, Ninsiima Rwemijuma. Cinco soldados, cinco policiais e 11 civis também morreram, elevando a 96 o total de mortos, informou.

Segundo Campala, a violência não está ligada às Forças Democráticas Aliadas (ADF), grupo rebelde islamita ugandês ativo nesta região de fronteira, mas foram provocados por ataques lançados por uma tribo majoritária contra uma minoritária local.

Os agressores, armados com facões, lanças e armas, lançaram uma série de ataques no sábado e domingo contra seus rivais, forçando o Exército a intervir e enviar reforços para estas áreas rurais remotas, perto das montanhas de Rwenzori que se estendem entre Uganda e a República Democrática do Congo.

O presidente Yoweri Museveni denunciou o "sectarismo" e "chauvinismo tribal". Ele prometeu "punir" os responsáveis ​​por este "plano criminoso que causou a morte de tantas pessoas".

Os combates prosseguem nesta terça-feira, mas o Exército assegurou que os civis estavam agora seguros em suas aldeias.

"Nós não esperamos mais vítimas civis porque implementamos forças suficientes no terreno", assegurou o porta-voz militar.

De acordo com a polícia, a violência étnica foi lançada pela comunidade majoritária, os Bakonzo, contra a minoria Basongora, em razão de disputas de longa data relacionadas com "cultura" e "terra".

"Há um conflito tribal. Alguns em Bakonzo não querem que grupos minoritários sejam reconhecidos como reinos dentro do que eles consideram o mais amplo 'reino de Rwenzori', do qual a tribo Bakonzo é dominante", explicou à AFP o porta-voz da polícia, Fred Enanga.

Eliminação

"Se as forças de segurança não tivessem intervindo a tempo, poderia haver a eliminação de todo o grupo minoritário (Basongora)", assegurou.

De acordo com o porta-voz do Exército, o número de agressores mortos deve subir ainda mais. "Estamos usando cães farejadores" para rastrear os feridos e os agressores que se escondem, acrescentou.

As forças de segurança também informaram a detenção de mais de 80 suspeitos.

Os atacantes, totalizando cerca de 300, "se dividiram em pequenos grupos", atacando quartéis, delegacias, bancos e casas de representantes do Estado na região, relatou Rwemijuma.

Eles veem a polícia e os militares como "inimigos" porque o governo "reconhece os direitos das tribos minoritárias e de sua cultura na região", ressaltou o porta-voz da polícia, acrescentando que entre os agressores há ex-membrod das forças de segurança.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu na semana passada impor sanções ao grupo islâmico ADF acusado de recrutar crianças-soldados e de cometer inúmeros abusos, incluindo violência sexual contra mulheres e crianças.

O grupo também é acusado de ter participado de ataques contra as forças de paz da missão da ONU na República Democrática do Congo (Monusco) na região de Kivu (leste da RDC), que abriga uma infinidade de grupos rebeldes.

O ADF teria ligações com os islamitas somalis shebab, filiados à Al-Qaeda, que têm realizado ataques em território ugandense em retaliação contra a participação de Kampala na força da União Africana na Somália (Amisom), que combate o shebab na Somália desde 2007.

AFP