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A comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, declara que a derrubada do avião malaio no leste da Ucrânia pode ser considerado um crime de guerra.

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As forças ucranianas conseguiram entrar nesta segunda-feira em várias cidades ocupadas pelos insurgentes pró-russos no leste da Ucrânia, e mesmo assim os especialistas australianos e holandeses ainda não conseguiram ter acesso à zona do impacto do avião malaio por causa dos combates travados.

A comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou, por sua vez, que a queda do avião da Malaysia Airlnes, supostamente derrubado por um míssil, pode ser considerado um crime de guerra.

"Esta violação da lei internacional, dadas as circunstâncias, pode ser considerada um crime de guerra", declarou a comissária em um comunicado

Pillay pediu uma investigação meticulosa, efetiva, independente e imparcial sobre a queda do avião provocada por um míssil em uma zona controlada pelos insurgentes.

A Cruz Vermelha indicou oficialmente na semana passada que a situação na Ucrânia se caracteriza como uma guerra civil, o que transforma as áreas em conflito passíveis de serem condenadas por crimes de guerra.

A intensificação dos combates nas proximidades complica ainda mais a chegada dos peritos estrangeiros no local da queda do avião, controlado pelos separatistas pró-russos, onde ainda há destroços da aeronave, bem como partes de corpos das vítimas, 11 dias após a tragédia.

E, nesta segunda-feira, os insurgentes pró-russos reconheceram ter perdido o controle de parte do local em que ocorreu a tragédia aérea, frente aos avanços das forças ucraniana que anunciaram a entrada em várias cidades próximas.

Peritos médico-legais da Holanda chegaram a visitar o local várias vezes, mas os responsáveis ​​por investigar as causas dessa tragédia nunca chegaram por razões de segurança.

Um comboio de vinte carros, incluindo da imprensa, escoltados por rebeldes deixou esta manhã Donetsk em direção a esta área localizada 60 km a leste. Os jornalistas foram impedidos de prosseguir caminho em Chakhtarsk, cerca de dez quilômetros do local.

A polícia e os peritos médico-legais também precisaram retornar pouco depois, dada as explosões, de acordo com o governo holandês.

Descompressão devido a uma explosão

As forças ucranianas entraram nas cidades de Chakhtarsk e Torez, a leste de Donetsk, e retomaram o controle da colina de Savur-Moguyla, segundo Kiev. Os combates prosseguem em Snijné.

Savur-Moguyla é "um local estratégico na fronteira das regiões de Donetsk e Lugansk e Rostov (no Don) na Rússia, a partir de onde os terroristas dispararam contra os soldados ucranianos", declarou a presidência ucraniana em um comunicado. Quarta-feira passada, dois aviões de combate ucranianos foram abatidos nesta colina.

"Os ucranianos tomaram uma parte do território da queda" do avião da Malaysia Airlines, declarou à imprensa Vladimir Antiufeev, número dois do governo da autoproclamada República de Donetsk.

A ministra australiana das Relações Exteriores, Julie Bishop, e seu homólogo holandês, Frans Timmermans, estavam nesta segunda em Kiev para discutir com as autoridades a possibilidade de estender a missão de segurança e deixar os policiais portarem armas.

A implantação de uma tal missão exige a luz verde do Parlamento ucraniano, que deverá se pronunciar a este respeito na quinta-feira.

A aeronave malaia que fazia o trajeto Amsterdã-Kuala Lumpur foi abatida com 298 pessoas a bordo em 17 julho no leste da Ucrânia, em uma área controlada pelos rebeldes apoiados pela Rússia.

Kiev e os ocidentais acusam quase abertamente os separatistas e o Kremlin de serem responsáveis pela tragédia.

A investigação das caixas-pretas do Boeing revelou uma "descompressão" ligada a uma "forte explosão" causada por um míssil, indicou nesta segunda-feira o Conselho de Segurança Nacional e de Defesa ucraniano.

"Os dados registrados nas caixas-pretas mostram que a destruição e a queda do avião foram causadas por uma descompressão ligada a uma forte explosão em razão das muitas perfurações provocadas por um míssil", informou à imprensa um porta-voz do Conselho ucraniano, Andrii Lyssenko.

Armamento pesado

Mais de três meses depois do início da operação militar, os combates no leste do país deixaram mais de 1.110 mortos, segundo um relatório da ONU publicado nesta segunda-feira, e denuncia que os dois lados utilizaram armamento pesado em zonas residenciais.

O texto também fala de 3.422 feridos.

Estes últimos dados supõem um aumento considerável em relação ao balanço de 18 de julho, no qual a ONU citou 256 mortos desde abril.

Pillay afirmou ainda que as informações da intensificação dos combates nos redutos dos insurgentes, nas regiões de Donetsk e Lugansk, são "extremadamente alarmantes" e disse que as duas partes "empregam armamento pesado em zonas residenciais, incluindo artilharia, tanques, foguetes e mísseis".

AFP