Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Policial monta guarda no local de um ataque de militantes do talibã, nos arredores de Cabul

(afp_tickers)

O número de vítimas civis no conflito no Afeganistão aumentou consideravelmente este ano, segundo a ONU, um reflexo do aumento dos combates a seis meses da retirada da Otan, e em plena crise em torno da eleição presidencial.

Em seu relatório semestral sobre o tema, publicado nesta quarta-feira, a missão da ONU no país (Unama) registrou uma alta de 24% de civis mortos ou feridos, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre 1 de janeiro e 30 de junho, a Unama registrou 4.853 vítimas civis por combates, bombas artesanais ou atentados suicidas. Delas, 1.564 faleceram - um aumento de 17% - e 3.289 ficaram feridas (+28%).

"A natureza do conflito no Afeganistão está mudando em 2014, com uma escalada dos combates nas zonas de população civil", advertiu Khan Kubis, o diretor da missão das Nações Unidas no Afeganistão.

"O impacto nos civis, incluindo os afegãos mais vulneráveis, demonstrou ser devastador", acrescentou.

Trata-se do maior aumento de vítimas observado pela ONU desde que estes números sobre o Afeganistão começaram a ser divulgados, em 2009.

"Os combates ocorrem cada vez mais em comunidades, lugares públicos e perto das casas dos afegãos comuns, com um aumento exponencial de mulheres e crianças mortos e feridos", declarou Georgette Gagnon, diretora de recursos humanos.

Entre as vítimas ocupam um lugar importante as crianças (+34% de mortos e feridos, com 295 mortos e 776 feridos) e as mulheres (+24%, 148 mortas e 292 feridas).

A publicação deste relatório semestral - o último antes da saída das tropas da Otan, prevista para o fim de 2014 - ocorre em um contexto de aumento dos combates entre as forças afegãs e os insurgentes talibãs, cada vez mais sangrentos.

Nas ultimas semanas aumentou a violência na província de Helmand, onde o exército afegão e a polícia estão realizando uma contraofensiva contra cerca de 800 talibãs que atuam nesta zona, evacuada pelas tropas americanas em maio.

Com a retirada progressiva das tropas da Otan nos próximos meses, as autoridades afegãs colocarão à prova sua capacidade para manter a segurança.

Segundo Graeme Smith, especialista no grupo de reflexão International Crisis Group (ICG), "o nível de violência alcança níveis inéditos desde 2011, e isso é inquietante, já que haverá cada vez menos tropas estrangeiras".

Os números da Unama são o reflexo da precária situação do Afeganistão, que também enfrenta uma instabilidade política após as eleições presidenciais que devem designar o sucessor de Hamid Karzai, o único homem que dirigiu o país desde a queda do regime fundamentalista dos talibãs, no fim de 2001.

Um dos candidatos, Abdullah Abdullah, rejeita aceitar o resultado, e denunciou fraudes maciças em favor de seu adversário, Ashraf Ghani, que se proclamou vencedor (56,4% dos votos) no segundo turno da eleição presidencial realizada no dia 14 de junho.

AFP