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Combates se intensificam no Afeganistão em plena crise política

Policial monta guarda no local de um ataque de militantes do talibã, nos arredores de Cabul afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. julho 2014 - 13:46
(AFP)

O número de vítimas civis no conflito no Afeganistão aumentou consideravelmente este ano, segundo a ONU, um reflexo do aumento dos combates a seis meses da retirada da Otan, e em plena crise em torno da eleição presidencial.

Em seu relatório semestral sobre o tema, publicado nesta quarta-feira, a missão da ONU no país (Unama) registrou uma alta de 24% de civis mortos ou feridos, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre 1 de janeiro e 30 de junho, a Unama registrou 4.853 vítimas civis por combates, bombas artesanais ou atentados suicidas. Delas, 1.564 faleceram - um aumento de 17% - e 3.289 ficaram feridas (+28%).

"A natureza do conflito no Afeganistão está mudando em 2014, com uma escalada dos combates nas zonas de população civil", advertiu Khan Kubis, o diretor da missão das Nações Unidas no Afeganistão.

"O impacto nos civis, incluindo os afegãos mais vulneráveis, demonstrou ser devastador", acrescentou.

Trata-se do maior aumento de vítimas observado pela ONU desde que estes números sobre o Afeganistão começaram a ser divulgados, em 2009.

"Os combates ocorrem cada vez mais em comunidades, lugares públicos e perto das casas dos afegãos comuns, com um aumento exponencial de mulheres e crianças mortos e feridos", declarou Georgette Gagnon, diretora de recursos humanos.

Entre as vítimas ocupam um lugar importante as crianças (+34% de mortos e feridos, com 295 mortos e 776 feridos) e as mulheres (+24%, 148 mortas e 292 feridas).

A publicação deste relatório semestral - o último antes da saída das tropas da Otan, prevista para o fim de 2014 - ocorre em um contexto de aumento dos combates entre as forças afegãs e os insurgentes talibãs, cada vez mais sangrentos.

Nas ultimas semanas aumentou a violência na província de Helmand, onde o exército afegão e a polícia estão realizando uma contraofensiva contra cerca de 800 talibãs que atuam nesta zona, evacuada pelas tropas americanas em maio.

Com a retirada progressiva das tropas da Otan nos próximos meses, as autoridades afegãs colocarão à prova sua capacidade para manter a segurança.

Segundo Graeme Smith, especialista no grupo de reflexão International Crisis Group (ICG), "o nível de violência alcança níveis inéditos desde 2011, e isso é inquietante, já que haverá cada vez menos tropas estrangeiras".

Os números da Unama são o reflexo da precária situação do Afeganistão, que também enfrenta uma instabilidade política após as eleições presidenciais que devem designar o sucessor de Hamid Karzai, o único homem que dirigiu o país desde a queda do regime fundamentalista dos talibãs, no fim de 2001.

Um dos candidatos, Abdullah Abdullah, rejeita aceitar o resultado, e denunciou fraudes maciças em favor de seu adversário, Ashraf Ghani, que se proclamou vencedor (56,4% dos votos) no segundo turno da eleição presidencial realizada no dia 14 de junho.

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