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Membro dos Médicos Sem Fronteiras (MSF) coloca roupa especial para entrar em área de isolamento do hospital Donka, em Conacri, Guiné, em 28 de junho de 2014

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Ministros da Saúde de onze países da África Ocidental e especialistas internacionais abriram nesta quarta-feira uma cúpula de dois dias para examinar a opção de um "plano radical" de luta contra a epidemia mais mortal da história do vírus Ebola.

A epidemia afeta atualmente Serra Leoa, Guiné e Libéria.

Segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado nesta terça-feira, os três países vizinhos somam, desde o começo do ano, 759 casos de febre hemorrágica, entre eles, 467 mortais.

São 129 casos mortais a mais que o balanço anterior - um número 38% maior -, que remonta à semana passada, um sinal de que a epidemia voltou a disparar após uma trégua no mês de abril.

"Trata-se da maior epidemia em termos de pessoas afetadas, de mortos e extensão geográfica", destacou em um comunicado a OMS, que organiza o encontro na capital de Gana.

"As decisões que forem tomadas durante esta reunião serão determinantes para combater a epidemia atual e as que estão por vir", acrescentou a organização no comunicado.

Diante do aumento contínuo da mortalidade e do número de pessoas afetadas pelo vírus Ebola, a OMS advertiu que serão "necessárias medidas drásticas" para conter esta epidemia mortal e altamente contagiosa.

Em 23 de junho, a ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) já tinha advertido que a epidemia estava "fora de controle" e ameaçava se propagar para outras regiões.

A OMS, que enviou 150 especialistas a campo desde a primeira aparição do vírus na Guiné, em janeiro passado, compartilha desse prognóstico.

Apesar dos esforços da OMS e de outras agências especializadas, houve uma "alta importante" das taxas de novos casos e de mortes nas últimas semanas, segundo o comunicado.

"A OMS está muito preocupada com a transmissão da epidemia para países vizinhos, e com o potencial de propagação internacional posterior do vírus Ebola", declarou há alguns dias Luis Sambo, diretor regional da agência da ONU para a África.

- Basta um único caso -

A "segunda onda" da epidemia, marcada por um salto no número de mortos nas últimas semanas, deve-se a um "relaxamento" de mobilização nos três países da África Ocidental afetados pelo vírus, quando a crise parecia ter se estabilizado em abril, explicou o especialista da OMS, Pierre Formenty, à AFP na semana passada.

"Um único caso basta para reiniciar toda uma epidemia", afirmou, justificando as drásticas medidas necessárias para conter a doença.

Participam da reunião os ministros da Saúde e autoridades dos governos de Guiné, Libéria, Serra Leoa, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Gâmbia, Gana, Guiné-Bissau, Mali, Senegal e Uganda. Também estão presentes os diferentes parceiros da OMS envolvidos na busca de uma resposta para a explosão do Ebola, incluindo representantes da indústria da mineração, da MSF, do Instituto Pasteur, da União Europeia e dos Estados Unidos.

A Guiné é o país mais afetado, com 413 casos de febre hemorrágica (sendo 303 mortais), de acordo com a OMS. A Libéria registrou 107 casos de febre hemorrágica, incluindo 65 mortais. Serra Leoa teve 239 casos, com 99 mortes.

O vírus do Ebola, que causa em poucos dias "febres hemorrágicas", seguidas de vômitos e diarreia, recebeu esse nome em função de um rio no norte da República Democrática do Congo (antigo Zaire), onde foi descoberto pela primeira vez em 1976.

Sem vacina homologada, sua taxa de mortalidade oscila entre 25% e 90% no homem, dependendo das cepas do vírus.

A doença é transmitida por contato direto com o sangue, com os fluidos biológicos ou com os tecidos das pessoas ou animais infectados.

AFP