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Partidários do opositor venezuelano radical, Leopoldo López, participam de manifestação em frente à Suprema Corte, em Caracas, no dia 4 de setembro de 2015

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O julgamento contra o líder opositor radical, Leopoldo López, acusado de instigar a violência nos protestos contra o governo venezuelano de 2014, entrou nesta sexta-feira em sua fase final, com uma audiência que pode demorar até 12 horas, alertou seu advogado.

Cento e cinquenta pessoas aguardavam do lado de fora do Palácio da Justiça, aonde López chegou por volta das 10H00 locais. Ele está detido na prisão militar de Ramo Verde, nos arredores de Caracas, desde que se entregou às autoridades em 18 de fevereiro de 2014.

O dirigente, um economista de 44 anos com mestrado em Harvard, é promotor da estratégia conhecida como "S Saída" e acusado pelo governo do socialista Nicolás Maduro de incitar a violência nas manifestações que, entre fevereiro e junho do ano passado, deixaram 43 mortos.

Juan Carlos Gutiérrez, advogado do dirigente, alertou à AFP que a audiência desta sexta-feira poderia ser longa, visto que quatro estudantes estão envolvidos no mesmo caso.

Gutiérrez, que denunciou irregularidades ao longo do processo que já acumula 70 audiências, esclareceu que a sentença poderia ser adiada para outra sessão.

"Os promotores não conseguiram demonstrar que as mensagens de Leopoldo tenham desencadeado ações violentas de parte dos manifestantes", disse Gutíerrez à AFP.

Em junho do ano passado, os tribunais denunciaram López pelos crimes de instigação pública, danos à propriedade como instigador, incêndio como instigador e associação para delinquir.

Gutiérrez explicou à AFP que se López for considerado culpado, a sentença não deve superar os 12 anos de prisão, aos quais os promotores não apresentaram agravantes no caso.

Apoio internacional

Em maio passado, López, fundador do partido Vontade Popular, fez greve de fome durante um mês para exigir, entre outros pontos o agendamento da data das eleições legislativas, posteriormente convocadas para 6 de dezembro.

Durante a greve, ex-presidentes da Colômbia (Andrés Pastrana), Bolívia (Jorge Quiroga), Chile (Sebastián Piñera), o ex-chefe de governo da Espanha, Felipe González, e outras personalidades políticas foram a Caracas com a intenção de visitá-lo na prisão, mas não receberam autorização para fazê-lo.

Durante a reclusão, sua esposa, Lilian Tintori, fez viagens ao exterior em defesa da causa do marido e da de outros opositores presos.

Nesta terça-feira, Tintori se reuniu em Washington com o secretário de Estado americano, John Kerry, e em fevereiro celebrou um encontro com o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

AFP