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(2013) O robô Philae no cometa Tchouri

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A sonda europeia Rosetta, que acompanhou nesta quinta-feira o cometa "Tchouri" no ponto mais próximo ao Sol em sua trajetória, está começando a dar pistas fascinantes que ajudam a compreender as origens da vida na Terra.

Às 02H03 GMT (23H03 Brasília), o cometa atingiu seu periélio, o ponto mais próximo ao Sol de sua órbita elíptica de seis anos e meio. O cometa 67P/Tchouriumov-Guerasimenko se encontra a 186 milhões de quilômetros do Sol e a 265 milhões de quilômetros da Terra.

A passagem pelo periélio tem especial importância porque é a primeira vez que uma sonda espacial acompanha um cometa e observa de perto este período agitado.

Ao se aproximar do Sol, a atividade no cometa, formado por gelo, minerais e partículas de carbono, aumenta consideravelmente.

De seu núcleo escapam jatos de gás e poeira cada vez mais poderosos, segundo observou a sonda, que há um ano escolta o 67P após uma década de viagem interestelar a partir da Terra, com a qual se comunica através de ondas de rádio.

Segundo a Agência Espacial Europeia (ESA), o cometa esteve "muito ativo" nesta quinta-feira, com importantes projeções de gases e pó.

"A sonda está em perfeito estado de funcionamento e segue seu periélio" junto ao corpo celeste que começa agora a se afastar do Sol, indicou Sylvain Lodiot, responsável pelas operações no Centro Europeu de Operações Espaciais, situado na Alemanha.

Jean-Yves Le Gall, presidente da Agência Espacial Francesa (CNES), informou que Rosetta permanece em ação. "Estamos recebendo dados extraordinários e a colheita continua", afirmou.

Cometas semeando vida

O objetivo da missão, planejada há mais de 20 anos, é compreender melhor o Sistema Solar desde o seu nascimento, uma vez que se considera que os cometas são restos de sua matéria original.

Antes das observações de Rosetta e de seu robô Philae, pousado no 67P, os astrônomos pensavam que os cometas eram compostos principalmente de gelo e um pouco de poeira. Eram como "bolas de neve sujas", explicavam.

Mas esta não é a realidade, afirma Jean-Pierre Bibring, do Instituto de Astrofísica Espacial da França.

"Nós sabemos agora que o cometa é composto principalmente de grânulos de matéria orgânica - moléculas inertes com carbono e nitrogênio - formados antes mesmo da formação dos próprios cometas", continua.

"Estamos convencidos de que foram esses tipos de grânulos que posteriormente tiveram a oportunidade de viajar e semear nossos oceanos", assegura Bibrin.

"Isso é fascinante, graças à Rosetta e ao robô Philae estamos convencidos de que esta é a matéria primordial que uma vez semeada em nossos oceanos possibilitaram o surgimento de vida", comemora.

"Obviamente, a grande questão é o que aconteceu deste ponto até a formação da vida", destaca.

"A visão que tínhamos do Sistema Solar estava errada. Tudo vem da mesma matéria original, que tem a mesma idade, cerca de 6 bilhões de anos. Mas quando olhamos para Marte, Vênus, Mercúrio e a Terra, nenhum se parece. E quando comparamos nosso Sistema Solar a outros mais distantes, não há dois que se assemelham", argumenta.

Tendo em conta esta diversidade, surge a pergunta que todos se fazem: o que é que fez a Terra ser como ela é? Qual foi o processo? Nesta reflexão, diz Bibrin, a observação do cometa é "um passo muito importante".

Final feliz

A missão Rosetta foi planejada há 20 anos, e, portanto, leva a bordo tecnologia do século passado. Isto representa um desafio, embora muitos dos instrumentos sejam bastante semelhantes aos de hoje. Em contrapartida, os computadores de bordo são obsoletos.

"A quantidade total de memória disponível para enviar ou receber instruções e armazenar dados é 10.000 vezes menor" do que temos, por exemplo, no nosso smartphone.

O robô-laboratório Philae, há nove meses no cometa, não emite nenhum sinal de vida desde 9 de julho. Suas baterias são carregadas com dificuldade porque ele está em uma área montanhosa com pouca exposição à luz solar.

Mas nem tudo está perdido, uma vez que Philae ficou na sombra em um ambiente relativamente fresco, o que poderia ajudar a sobreviver a aventura quente do periélio.

Com seus 11 instrumentos, Rosetta está agora a cerca de 330 km do cometa, a distância de segurança determinada pelos responsáveis pela sonda de modo a que não corra riscos com as emissões de gás.

A jornada da sonda ainda não terminou. A Europa continuará com a missão até setembro de 2016 e considera até mesmo a possibilidade de "pousá-la" o mais suavemente possível sobre o corpo celeste para encerrar sua aventura científica com este encontro no espaço, um final feliz para a história de amor entre Rosetta e o cometa 67P.

AFP