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Comissão parlamentar detém ex-diretor do Ministério da Saúde

Foto divulgada pela Agência Senado do ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito em Brasília, em 7 de julho de 2021 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 07. julho 2021 - 23:41
(AFP)

O ex-diretor do Ministério da Saúde Roberto Dias foi detido em Brasília nesta quarta-feira(7) enquanto testemunhava perante a comissão do Senado que investiga suspeitas de irregularidades na negociação de vacinas contra a covid pelo governo de Jair Bolsonaro.

O senador Omar Aziz, que preside a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), deu voz de prisão a Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, acusando-o de "perjúrio".

“Ele está mentindo desde manhã, dei chance para ele o tempo todo [de falar a verdade], pedi por favor, pedi várias vezes”, disse Aziz, na primeira decisão deste tipo desde o início dos interrogatórios, há mais de dois meses.

“Não aceito que a CPI vire chacota. Temos mais de 527 mil mortos nesta pandemia. E gente fazendo negociata com vacina”, acrescentou o parlamentar, visivelmente irritado.

Roberto Dias foi demitido do cargo no final de junho, após denúncias de que solicitou propina de um dólar por dose ao representante de uma empresa que teria negociado a venda de 400 milhões de vacinas AstraZeneca ao governo.

As suspeitas partiram de declarações do suposto representante da farmacêutica, Luiz Dominguetti, que testemunhou na semana passada perante a CPI.

Dias nega ter oferecido qualquer propina e afirma que o encontro com Dominguetti foi acidental, embora uma série de mensagens nas mãos dos senadores contradigam essa versão, segundo os parlamentares.

Dias também nega ter pressionado um subordinado para fechar um contrato de compra da vacina indiana Covaxin, que apresentava indícios de irregularidades, incluindo um preço muito superior ao de qualquer imunizante adquirido pelo Brasil.

O funcionário do Ministério que denunciou estas suspeitas afirmou ter relatado suas preocupações pessoalmente a Bolsonaro, que aparentemente não comunicou essas alegações à polícia.

Essa suspeita de omissão levou à abertura de investigação pela Procuradoria-Geral da República para apurar se o presidente cometeu crime de "prevaricação".

As denúncias sobre a negociação das vacinas reacenderam as críticas ao presidente por sua gestão da pandemia e aumentaram a pressão sobre o governo, que no fim de semana enfrentou um terceiro grande dia de protestos nas ruas exigindo o impeachment de Bolsonaro.

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