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Como pilotar um robô em Marte

O Curiosity, em 7 de junho de 2018, em Marte afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 12. novembro 2018 - 20:41
(AFP)

A 126 milhões de quilômetros da Terra, sozinho na imensidão fria e vermelha de Marte, um robô do tamanho de um pequeno 4x4 é acionado logo após o amanhecer. Como todos os dias durante seis anos, ele aguarda suas instruções.

Por volta de 9:30, hora de Marte, chega a mensagem que sai da Califórnia 15 minutos antes: "Avance 10 metros, gire 45 graus e continue de forma autônoma até esse ponto".

O robô "Curiosity", como é chamado, se desloca lentamente, entre 35 e 110 metros por hora. As baterias e outras limitações explicam seu percurso diário de cerca de cem metros, chegando a um recorde de 220 metros.

Uma vez ali, as 17 câmeras do robô fotografam os arredores. Diante de uma pedra particularmente atrativa, ele para e pega uma amostra.

Por volta de 17H00 (hora local), o robô esperará a passagem de um dos três satélites da Nasa que orbitam em volta de Marte para entregar seu relatório: centenas de megabits, depois transmitidos às principais antenas terrestres de seus chefes humanos.

- Laboratório em miniatura -

No térreo do edifício 34 do centro espacial Goddard da Nasa em Greenbelt, a uma hora de Washington, os cientistas analisam estes dados todos os dias. Nessa grande sala sem janelas cheia de instrumentos e computadores, buscam rastros de vida em Marte.

O interior do Curiosity é "uma maravilha da miniaturização": um laboratório químico do tamanho de um forno de micro-ondas, chamado SAM.

Charles Malespin, subchefe da equipe científica do Curiosity, aponta para os instrumentos que foram reduzidos e compactados dentro do robô.

"Este é o instrumento mais complicado já enviado pela Nasa a outro planeta", diz Malespin, que dedica sua vida profissional a isso desde 2006.

SAM analisa as amostras aquecendo-as em um forno até 1000°C. Nesse processo, as pedras e terras soltam gases, que depois são separados e enviados a instrumentos que os analisam e desenham uma "impressão digital" da amostra.

Em Goddard, a pesquisadora francesa Maeva Millan compara esta marca química com a de experimentos realizados em moléculas conhecidas. Quando as curvas são similares, diz: "Essa é minha molécula boa".

Graças a SAM se sabe que há moléculas orgânicas complexas em Marte, e que foi estabelecida a antiguidade da superfície do planeta, geologicamente muito mais jovem do que os cientistas acreditavam.

"Se queremos ir a Marte, é inútil importar os recursos que já existem", acrescenta Malespin, em referência, por exemplo, à água. "Poderíamos cavar o solo, aquecê-lo e liberar água; só levando um forno, teremos toda a água que precisarmos", diz.

A mesma coisa acontece com diversos materiais que poderiam ser transformados em combustível para um futuro "posto de gasolina de foguetes".

- Sem joystick -

Na outra ponta dos Estados Unidos, no Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, perto de Los Angeles, 15 homens e mulheres comandam o Curiosity.

"Meu momento preferido do dia é quando me sento para ver as imagens enviadas de Marte", diz pelo telefone Frank Hartman, que comanda o Curiosity e outro robô, Opportunity, que quebrou em junho.

O trabalho dos operadores é planejar o dia marciano - que dura 24 horas e 40 minutos - do robô e programar os comandos para que o plano seja cumprido.

Por não contarem com joysticks nem comunicações em tempo real, é improvável que descubram com antecedência problemas, como a saturação do Opportunity ou os buracos causados pelo solo rochoso nas rodas do Curiosity.

"Precisamos ter em conta que não sabemos quase nada sobre este lugar", diz Hartman.

O Curiosity percorreu 19,75 km desde 2012. Em um ano, deveria chegar a seu objetivo: o Monte Sharp. Alguns meses depois, perderá seu monopólio marciano. Espera-se que dois robôs americanos e europeus aterrissem no planeta em 2020.

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