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Haidar al-Abadi, o novo primeiro-ministro iraquiano, conversa com jornalistas em Bagdá, em 22 de novembro de 2009.

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A nomeação de Haidar al-Abadi como novo primeiro-ministro no Iraque foi bem recebida pela comunidade internacional, que espera que Bagdá detenha os jihadistas que controlam grande parte do país e que o atual premiê não dificulte o processo de transição e unificação.

Depois de os Estados Unidos terem forçado a saída do ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki, o Irã, principal aliado do Iraque na região, também retirou o apoio.

Depois da ONU, Estados Unidos, União Europeia, França e Grã-Bretanha, a Liga Árabe, o Irã e Arábia Saudita saudaram a nomeação de Abadi. Washigton pediu nesta terça-feira ao novo premiê a rápida formação de um governo de unidade nacional e descartou o envio de tropas americanas ao Iraque.

"Pedimos a formação de um novo governo o mais rápido possível. O governo dos Estados Unidos está disposto a apoiar um novo governo de união nacional, especialmente na luta contra o Estado Islâmico (EI)", disse o chefe da diplomacia americana, John Kerry, referindo-se à organização jihadista sunita que desde junho conquistou grande parte do país.

Os Estados Unidos estão enviando armas ao curdos por meio do governo iraquiano para ajudá-los em sua batalha contra os jihadistas do EI no norte do país.

Já Londres declarou que poderia transportar material militar de outros países para as forças curdas.

Abadi recebeu na segunda-feira o mandato do presidente iraquiano Fuad Massum para formar um governo, depois de ter sido eleito pelo bloco parlamentar xiita. Ele tem 30 dias para compor um novo gabinete que inclua todas as forças políticas do país, assolado por disputas causadas por tensões religiosas.

Para o presidente Barack Obama, este gabinete deve "representar os interesses legítimos de todos os iraquianos e unir o país na luta contra o Estado Islâmico".

Maliki isolado

Em uma alusão clara a Maliki, que se aferra a seu posto depois de oito anos no poder, Obama pediu que "todos os dirigentes políticos iraquianos trabalhem pacificamente nos próximos dias".

Já Maliki, que acreditava ter a legitimidade para um terceiro mandato após a vitória de sua coalizão nas eleições legislativas, denunciou a nomeação de Abadi como uma "violação da Constituição", que, segundo ele, foi apoiada por Washington.

Mas a rejeição não deve comprometer a transição política, já que o primeiro-ministro atual foi abandonado por seus aliados e pelos integrantes de sua própria coalizão, que o acusam de ter deixado o país à beira do abismo com sua política de exclusão da minoria sunita e postura autoritária.

Maliki, que é comandante-em-chefe das Forças Armadas iraquianas e tem o apoio de vários oficiais, já ordenou que os militares e as forças de segurança do Iraque fiquem de fora da crise política do país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também advertiu nesta terça que as forças de segurança iraquianas não devem intervir na crise política.

Abadi foi escolhido como candidato da Aliança Nacional, o bloco parlamentar xiita, já que tradicionalmente o posto de premiê cabe a um representante dessa comunidade islâmica.

Ameaça de genocídio

Os Estados Unidos, que voltaram a se envolver no Iraque pela primeira vez desde a retirada de suas tropas no final de 2011, mantiveram os bombardeios na segunda-fira, pelo quarto dia consecutivo.

Obama autorizou na quinta-feira os bombardeios para proteger os funcionários americanos e as minorias iraquianas diante do avanço jihadista e para evitar um possível genocídio.

Mas os Estados Unidos não têm planos de expandir sua campanha de ataques aéreos no Iraque além do necessário à proteção de funcionários americanos na cidade de Erbil e dos refugiados da minoria yazidi, segundo o Pentágono.

Um helicóptero que transportava refugiados yazidis caiu no Iraque nesta terça, matando o piloto e ferindo uma deputada conhecida por sua militância em prol dessa minoria, de acordo com fontes militares.

O helicóptero, que havia levado ajuda e tentava transportar os refugiados, caiu durante a decolagem, no norte do Iraque, indicaram dois oficiais.

De acordo com os supervisores de Direitos Humanos da ONU, a minoria religiosa yazidi do Iraque enfrenta um possível genocídio. Por isso, pediram uma ação global urgente para evitar um massacre.

Os yazidis, uma minoria de língua curda, foram expulsos de suas casas na semana passada quando os insurgentes jihadistas ocuparam a cidade de Sinjar, no norte do país.

Sitiados nas áridas montanhas de seus arredores, milhares tentam sobreviver, ameaçados pela fome e pelos jihadistas em meio a temperaturas que podem superar os 50 graus.

O grupo jihadista lançou uma ofensiva no dia 9 de junho, dirigida contra yazidis, além de cristãos, xiitas, curdos e outros grupos.

Os insurgentes ofereceram a "opção" de "se converter ou morrer", explicou Christof Heyns, especialista da ONU em execuções sumárias.

Neste contexto, a União Europeia anunciou nesta terça-feira mais cinco milhões de euros em ajuda ao Iraque, mas alertou que o problema mais urgente é o acesso aos civis.

AFP