Navigation

Confrontos com traficantes no Rio deixam 13 mortos, sendo dois militares

Militares patrulham as ruelas de uma favela do Rio em 21 de junho de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 20. agosto 2018 - 14:21
(AFP)

Operações coordenadas entre policiais e militares no Rio de Janeiro deixaram nesta segunda-feira (20) pelo menos 13 mortos, entre eles dois militares, as primeiras baixas das Forças Armadas desde o início da intervenção federal na segurança pública no estado.

Cinco supostos traficantes e os dois militares morreram em confrontos nas comunidades do Complexo do Alemão, da Maré e no bairro vizinho da Penha, na zona norte da cidade, durante uma operação que mobilizou 4.200 soldados e 70 policiais, informou o Comando Militar do Leste, que anteriormente havia registrado oito mortos.

O cabo Fabiano de Oliveira Santos morreu "por ferimentos decorrentes de confronto envolvendo disparos de arma de fogo", informou pela manhã o Comando em um comunicado, destacando que outro militar, o soldado Marcus Vinícius Viana Ribeiro, estava hospitalizado com um ferimento na perna. "Seu estado inspira cuidados, porém o militar não corre o risco de morrer".

Ao cair da noite, o Comando revelou o "óbito de outro militar do Exército em decorrência de confronto no interior do Complexo da Penha", sem maiores informações até o momento sobre a identidade e a patente do falecido.

Estes foram os primeiros membros das Forças Armadas mortos em ação desde que o presidente Michel Temer decretou, em fevereiro, a polêmica intervenção militar na segurança pública do Rio. O estado vive uma onda de violência desatada após os Jogos Olímpicos do Rio-2016, com tiroteios constantes entre facções de narcotraficantes e em confrontos entre estes e a Polícia em comunidades pobres.

As Forças Armadas ressaltaram o "supremo sacrifício destes militares em sua missão de proporcionar um ambiente seguro e estável aos habitantes do estado do Rio de Janeiro".

Segundo o balanço oficial, 36 pessoas foram detidas nas operações na zona norte da cidade, que permitiram a apreensão de 24 armas, 828 munições, seis carregadores, 430 quilos de maconha e dois veículos. Também foram retiradas duas barricadas instaladas por traficantes.

- Seis mortos em Niterói -

Outros seis supostos criminosos foram mortos pela Polícia em Niterói, região metropolitana do Rio.

Aparentemente, os supostos traficantes estavam voltando em dois carros roubados de uma festa em uma das comunidades da região quando decidiram roubar outro veículo, segundo a Agência Brasil.

"Na ocorrência de hoje, no acesso à Ponte Rio–Niterói, nove criminosos foram baleados. Quatro morreram no local, dois morreram no hospital e 3 foram presos", informou a PM no Twitter, acrescentando que houve a apreensão de quatro fuzis, quatro pistolas, quatro granadas e sete radiotransmissores.

A Polícia os cercou com um carro blindado em um dos acessos da Ponte Rio-Niterói, onde houve um intenso tiroteio que chegou a atingir um ônibus.

- "Muito grave" -

Analistas foram surpreendidos pela contundência da operação militar, já que os soldados não costumam estar na primeira linha de combate, mas apoiando a Polícia.

"Achamos muito grave. Se houver confirmação de que as mortes foram executadas por agentes das Forças Armadas terá sido uma mudança preocupante em relação ao que vinha ocorrendo até aqui desde o início da intervenção", declarou à AFP a socióloga Silvia Ramos, coordenadora do Observatório da Intervenção do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes.

"Os soldados do Exército faziam parte de operações, mas cuidavam para não haver confrontos diretos e não haver baixas. As Forças Armadas não podem entrar e nessa lógica de confrontos inúteis e mortes inaceitáveis que dominam a práticas de policias do RJ", manifestou.

Os tiroteios aumentaram 36% no Rio desde o início da intervenção militar, segundo um informe coordenado pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Cândido Mendes.

Segundo este informe, nos 120 primeiros dias de intervenção também aumentou em 34% a letalidade da Polícia, com 444 pessoas mortas nas mãos dos agentes. Os homicídios, no entanto, caíram 13%, chegando a 1.794.

Desde fevereiro foram registrados casos de violência com grande repercussão, como o assassinato da vereadora do PSOL Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março; e em junho, uma operação policial levou ao fechamento do turístico bondinho do Pão de Açúcar, terminando com pelo menos sete supostos traficantes mortos.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Participe da discussão

Com uma conta SWI, você pode contribuir com comentários em nosso site.

Faça o login ou registre-se aqui.