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Confrontos entre partidários do poder e da oposição ofuscaram nesta sexta-feira a grande marcha dos opositores Imran Khan e Tahir ul-Qadri até a capital Islamabad para exigir a renúncia do governo.

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Confrontos entre partidários do poder e da oposição ofuscaram nesta sexta-feira a grande marcha dos opositores Imran Khan e Tahir ul-Qadri até a capital Islamabad para exigir a renúncia do governo.

A chamada "Marcha da Liberdade", que coincide com o 67º aniversário da independência do Paquistão, saiu na quinta-feira de Lahore (leste) com direção a Islamabad, onde deve chegar ainda nesta sexta.

Mas a caravana dos manifestantes, que exigem a saída do primeiro-ministro Nawaz Sharif, foram agredidos em sua passagem por Gujranwala, cidade vizinha de Lahore, por partidário do premiê.

"Dispararam balas de verdade. E a polícia não fez nada", reclamou um dos líderes opositores, Khan, no canal local ARY, algo que não pôde ser confirmado de fonte independente.

"Eu disse que um milhão de pessoas vão marchar até Islamabad, e vamos fazer isso", prometeu Khan.

Os observadores, no entanto, esperam entre 50.000 e 100.000 manifestantes na capital, que parece uma cidade sitiada em função da mobilização de mais de 20.000 policiais e paramilitares.

As autoridades haviam proibido inicialmente a passeata, mas voltaram atrás em sua decisão.

A marcha foi organizada pelos opositores Imran Khan, ex-campeão de críquete que agora milita na política, e Tahir ul-Qadri, um chefe religioso paquistanês-canadense.

Tanto Khan como Qadri acreditam que as eleições de maio de 2013, que levaram ao poder o primeiro-ministro Nawaz Sharif, foram fraudulentas, por isso exigem sua demissão e a realização de nova votação.

A Liga Muçulmana (PML-N) de Nawaz Sharif obteve a maioria nas legislativas, elogiadas pelos observadores internacionais, apesar de algumas irregularidades.

O Partido da Justiça de Imran Khan ficou em terceiro lugar.

Por sua vez, Tahir ul-Qadri e seu Movimento do Povo do Paquistão (PAT) boicotaram as eleições.

Os dois opositores são acusados de atuar em conluio com o exército, ou ao menos parte dos poderosos serviços de inteligência, neste país marcada por inúmeros golpes de Estado.

Segundo alguns analistas, o exército talvez queira pressionar Sharif, com quem possuem várias divergências, entre elas o julgamentos por traição contra o ex-general Pervez Musharraf.

Ataques a bases aéreas

Enquanto a marcha prossegue, a polícia e o Exército paquistanês repeliram nesta sexta-feira um ataque de insurgentes equipados com armas automáticas, granadas e coletes com explosivos contra duas bases aéreas no sudoeste do Paquistão, anunciaram as autoridades, que divulgaram um balanço de oito mortos entre os criminosos.

Segundo os militares, os alvos dos insurgentes eram a base aérea de Samungli, utilizada pela Força Aérea paquistanesa, e a base aérea de Khalid, situada perto de Quetta, capital da província do Baluchistão, onde acontece uma rebelião separatista.

A distância entre as bases é de apenas 12 quilômetros entre elas.

"As operações nas duas bases terminaram. Oito insurgentes morreram, cinco em Samungli e três em Khalid", declarou à AFP o coronel Maqbool Ahmed.

O chefe de polícia provincial, Mohammad Amlish, disse à AFP que quatro policiais e três soldados foram feridos nos confrontos.

Os ataques foram reivindicados por um pequeno grupo vinculado ao Movimento dos Talibãs Paquistaneses (TTP), o Fedayin al-Islam.

"Cometemos os ataques em resposta à operação no Waziristão do Norte", afirmou Ghalib Mehsud, comandante da facção, que ameaça executar ataques mais importantes contra o governo e instalações militares.

O exército paquistanês iniciou uma vasta operação militar no Waziristão do Norte, epicentro do movimento jihadista na região, em resposta ao atentado de junho contra o aeroporto de Karachi (sul), o maior do país, que deixou 37 mortos.

AFP