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(Arquivo) Uma comunidade indígena, em San Juan, no dia 11 de junho de 2015

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Mais de três mil pessoas de comunidades indígenas e afrodescendentes deixaram suas terras nos últimos dias por medo dos confrontos entre autoridades e grupos ilegais no oeste da Colômbia, embora a maioria já tenha retornado às suas casas, informou nesta sexta-feira a Defensoria Pública.

"Foram mais de três mil os deslocados no recente impacto do conflito armado" na zona rural do Litoral de San Juan, situada no conturbado departamento (estado) do Chocó (oeste), informou em um comunicado a organização, que zela pelos direitos humanos na Colômbia, após visitar a região com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Muitos deslocados já retornaram por conta própria, embora se estime que quase quinhentos continuem refugiados na capital.

Os deslocamentos ocorrem por medo ante "a presença (da guerrilha) do ELN e dos enfrentamentos entre grupos ilegais e a Força Pública", detalhou o texto.

A Defensoria Pública pediu para facilitar o retorno seguro dos afetados às suas populações, fornecer-lhes alimentos "diante das restrições de mobilidade para atividades de caça e cultivo", atender "as afecções físicas e emocionais do conflito" na população, entre outras medidas.

O Acnur e a Defensoria encontraram "uma situação humanitária complexa" na zona afetada, onde constataram que no total foram 3.058 as pessoas deslocadas, o equivalente a 725 famílias de 12 comunidades.

Além disso, outros 1.133 habitantes de seis assentamentos indígenas da região se encontram "confinados" em suas terras por medo de confrontos.

Na região atual atores ilegais como o Exército de Libertação Nacional (ELN, guevarista) e o principal grupo criminoso do país, o Clã Úsuga. Além disso, as autoridades mobilizaram ali "uma forte ofensiva em dias passados".

O conflito armado, que começou com um levante camponês na década de 1960, enfrentou durante mais de 50 anos guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e forças públicas e já deixou 260.000 mortos, 45.000 desparecidos e 6,8 milhões de deslocados.

Atualmente, o governo Juan Manuel Santos está na reta final de um processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FarcC, marxistas), a principal guerrilha do país, e anunciou o início em breve de negociações formais com o ELN.

AFP