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Congresso peruano ouve ministro sobre acordo de delação com Odebrecht

O promotor peruano Rafael Vela Barba, em entrevista coletiva em São Paulo, 15 de fevereiro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. março 2019 - 18:39
(AFP)

O ministro peruano da Justiça, Vicente Zeballos, comparece nesta quinta-feira (21) ao Congresso para prestar esclarecimentos no âmbito do acordo de delação premiada entre o Ministério Público e a Odebrecht, enquanto a oposição denuncia como baixo o valor da indenização acertada com a empresa brasileira.

"Este acordo permitirá chegar pontualmente a todos os que tiveram algum grau, ou nível de participação, nos fatos investigados", disse o ministro, ao começar a responder uma lista de 21 perguntas apresentadas pelos congressistas.

Firmado em fevereiro em São Paulo, o acordo prevê que a Odebrecht entregará todas as informações sobre os subornos pagos a funcionários no Peru e se cancelará uma indenização civil de 610 milhões de soles (US$ 182 milhões).

O ministro defendeu o acordo, alegando que as declarações dos representantes da Odebrecht identificarão os funcionários peruanos envolvidos nos atos de corrupção investigados pelo MP.

A oposição pede para deixar o acordo sem efeito, alegando que a indenização é irrisória.

O acordo da Procuradoria, que é um órgão autônomo em relação ao governo, ainda deve ser ratificado pelo Poder Judiciário peruano.

O principal procurador do caso Odebrecht/Lava-Jato no Peru, Rafael Vela, teme que o acordo possa estar em perigo diante da possibilidade de ingerência política do Congresso.

A populista Força Popular, liderada por Keiko Fujimori, que cumpre prisão preventiva pelo caso Odebrecht, e a socialdemocrata Apra, do ex-presidente Alan García, impedido de deixar o Peru pelo mesmo caso, são os partidos que questionam o acordo.

Se o Congresso não aprovar as respostas do ministro, a oposição deverá apresentar uma moção de censura em uma próxima sessão do Parlamento.

Pelo escândalo da Odebrecht, estão desde outubro em prisão preventiva por três anos a líder opositora Keiko Fujimori e o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006). Outros três ex-presidentes estão sob investigação e proibidos de deixar o país: Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), Ollanta Humala (2011-2016) e Alan García (2006-2011).

A construtora brasileira firmou em 14 de fevereiro um acordo de cooperação com o Ministério Público peruano e começou a depor e a oferecer provas que podem levar à prisão de vários políticos peruanos, incluindo quatro ex-presidentes.

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