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Julio Borges, no dia 11 de maio de 2017

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O presidente do Congresso venezuelano, o opositor Julio Borges, ameaçou o banco americano de investimentos Goldman Sachs, nesta segunda-feira (29), com o não reconhecimento de uma compra de títulos por US$ 2,8 bilhões ao governo de Nicolás Maduro.

"Dada a irregular natureza dessa transação e os absurdos termos financeiros em detrimento da Venezuela e de seu povo, a Assembleia Nacional" investigará a operação e recomendará "a qualquer governo democrático futuro que não reconheça o pagamento desses bônus", advertiu Borges em uma carta ao banco.

A Assembleia argumenta que esse tipo de operação precisa de seu aval.

Conforme matéria publicada neste domingo (28) pelo Wall Street Journal, o Goldman Sachs fez uma compra de títulos da empresa estatal Petróleos de Venezuela (Pdvsa) com um desconto de 69%.

O banco americano concordou com pagar US$ 865 milhões ao Banco Central da Venezuela (BCV) - 31 centavos por dólar - pela aquisição de títulos emitidos em 2014 com vencimento em 2022 e que valem US$ 2,8 bilhões.

"O povo da Venezuela e seu futuro governo democrático não esquecerão de que lado ficou o Goldman Sachs quando teve que decidir entre apoiar a ditadura de Maduro, ou a democracia para nosso país", reconheceu o parlamentar.

Para Borges, a transação dá "uma sobrevida a um regime que viola sistematicamente os direitos humanos dos venezuelanos".

"Isso servirá para fortalecer a brutal repressão contra centenas de milhares de venezuelanos que estão protestando pacificamente por uma mudança política no país", insistiu.

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