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(Arquivo) O presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante discurso em Caracas, em 31 de agosto de 2012

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Chavismo e oposição voltam a se enfrentar em manifestações em Caracas, em um novo episódio da crise política e econômica dos quatro anos de governo de Nicolás Maduro.

- 2013: morte de Chávez e eleição de Maduro

O presidente Hugo Chávez, fundador da Revolução Bolivariana, morreu de câncer em 5 de março de 2013.

Maduro, que era seu vice-presidente e herdeiro político, venceu as eleições seguintes por uma estreita margem sobre o opositor Henrique Capriles.

- 2014: desabamento do petróleo

O preço do petróleo, que atingiu os 100 dólares o barril, começou a cair em 2014, até chegar aos 33 dólares em 2016 e 44 em 2017.

Essa queda cortou drasticamente as importações e fez disparar a escassez de alimentos, medicamentos e insumos para a indústria, em meio a um férreo controle de preços e de mudança.

Junto à deterioração econômica, a oposição radical liderada por Leopoldo López se voltou às ruas para exigir a renúncia de Maduro, em protestos que deixaram 43 mortos entre fevereiro e maio. Acusado de incitar a violência, López cumpre uma condenação de quase 14 anos de prisão.

- 2015: vitória opositora

Em meio à crise econômica, o chavismo sofreu em dezembro seu pior revés em 17 anos de governo, ao perder de forma arrasadora as eleições parlamentares.

Começa então uma severa crise institucional: o governo, com o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e outros poderes públicos acusados de servir ao chavismo, enfrentam o Parlamento controlado pela oposição.

- 2016: referendo e diálogo fracassados

O TSJ reduziu os poderes legislativos da oposição ao declarar o Parlamento em desacato e anular todas as suas decisões.

A oposição tentou convocar um referendo para tirar Maduro do poder, mas, em outubro, o CNE suspendeu o processo, argumentando existência de fraude no recolhimento de assinaturas necessárias para sua realização e adiou para 2017 as eleições de governadores previstas para 2016.

A oposição convocou protestos em massa, mas a pressão baixou quando aceitou um diálogo com o governo, promovido pelo Vaticano, a um alto custo político. Em dezembro, os opositores pararam as negociações, acusando o governo de não cumprir com os acordos.

- 2017: volta às ruas

No final de março, o TSJ assumiu as funções do Parlamento e levantou a imunidade dos deputados, o que a oposição considerou um golpe de Estado.

Paralelamente, a Controladoria tirou os direitos de Capriles para exercer cargos públicos por 15 anos. Isso de unadeixou de fora da disputa eleitoral os dois opositores com maior aceitação nas pesquisas, Capriles e López.

Depois de forte pressão internacional, as decisões do TSJ fueron anuladas parcialmente. Mas a oposição se lançou às ruas em abril para exigir a destituição dos juízes, a autonomia do Parlamento e eleições gerais.

O governo descarta uma antecipação das presidenciais, marcadas para dezembro de 2018. Os primeiros protestos deixaram cinco mortos e mais de 200 detidos.

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