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A ativista saudita Manal al-Sharif em Dubai, no dia 22 de outubro de 2013

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As sauditas podem comemorar a anulação da proibição de dirigir carros que pesava contra elas, mas ainda estão submetidas a restrições muito mais severas, profundamente arraigadas em um país muçulmano ultraconservador.

O sistema de tutela mantém as mulheres atadas, visto que elas são obrigadas a pedir a autorização de um homem da sua família para realizar trâmites do dia a dia.

Na prática, isto significa que uma mulher poderia se ver obrigada a pedir permissão ao seu irmão mais novo para se submeter a uma intervenção cirúrgica ou viajar ao exterior.

Em geral, as mulheres não estão autorizadas a socializar com homens que não sejam seus familiares, sob pena de serem enviadas à prisão. E, uma vez cumprida a pena, se seu tutor não assina a ordem de libertação, elas ficam a cargo do Estado.

Na semana passada, foi aberta uma pequena brecha neste rígido sistema, quando as mulheres foram autorizadas pela primeira vez a celebrar a festa nacional saudita em um estádio de Riade - em um setor reservado às famílias, longe dos homens solteiros.

Na questão do casamento, as mulheres também enfrentam duras restrições.

Além da proibição, vigente na maioria dos países árabes, de se casar com homens que não sejam muçulmanos, o Comitê permanente para as pesquisas islâmicas e a emissão de fatwas (decretos religiosos) - um organismo oficial - decidiu que uma mulher sunita não pode contrair matrimônio com um "homem xiita ou comunista (ateu)".

Outras restrições foram suspensas, embora só na teoria, visto que continuam sendo aplicadas nos meios mais conservadores deste país de mais de 31 milhões de habitantes.

Em maio, o rei Salman ordenou ao governo permitir que as mulheres realizem trâmites sem a autorização de um tutor, mas dentro dos limites estabelecidos pela sharia (lei islâmica).

O governo já não requer a permissão de um tutor para as mulheres trabalharem, mas os empregadores continuam solicitando-a, apesar de que o plano de reformas "Visión 2030" estimula a contratação de mulheres.

O código de vestimenta do reino exige que as mulheres se cubram da cabeça aos pés.

No entanto, em Riade algumas sauditas começaram a destapar o rosto, uma mudança na capital conservadora, onde a maioria delas só mostra os olhos.

As mulheres estrangeiras, antes obrigadas a usar um véu, agora podem circular em lugares públicos vestindo uma abaya (túnica).

A ativista Manal al Sharif, que liderou o movimento de protesto "Women2Drive" ("Mulheres ao volante") em 2011, já está procurando a próxima batalha.

"#Women2Drive - feito; #IamMyOwnGuardian" ["Eu sou minha própria tutora"] - em andamento", publicou no Twitter.

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AFP