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Dez dos onze candidatos à presidência francesa (E-D): Jean-Luc Melenchon, François Fillon, Jean Lassalle, Nathalie Arthaud, Marine Le Pen, Benoît Hamon, Jacques Cheminade, Nicolas Dupont-Aignan, Emmanuel Macron e François Asselineau, em La Plaine-Saint-Denis, em 4 de abril de 2017

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Da Europa às instituições, passando pela imigração, conheça os programas dos principais candidatos no primeiro turno da eleição à presidência da França, em 23 de abril, em cinco pontos-chave.

- Europa: partir ou reformar ? -

A questão europeia agita as tradicionais divisões desde que o general de Gaulle e os comunistas combatiam uma integração europeia defendida por centristas e socialistas.

Nos referendos realizados em 1992 (Tratado de Maastricht) e em 2005 (Constituição europeia), "sim" e "não" recrutam partidário à esquerda e à direita.

O mesmo se repete desta vez. A líder da extrema-direita, Marine Le Pen, e o ícone da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, que culpam Bruxelas por impor uma austeridade fiscal, defendem a saída da União Europeia, se as negociações não permitirem transformações profundas.

Os outros candidatos querem transformar a UE sem deixá-la. O socialista Benoît Hamon quer um alívio no rigor orçamentário. Como o centrista Emmanuel Macron, propõe um Parlamento da zona do euro e investimentos maciços europeus. O candidato da direita, François Fillon, renegociaria o Acordo de Schengen, para controlar ainda mais as fronteiras da UE.

- Imigração e Islã -

François Fillon e Marine Le Pen defendem uma política de imigração restritiva, com medidas que limitem o reagrupamento familiar, os benefícios sociais para os imigrantes e o concedimento da nacionalidade francesa.

À esquerda, Benoît Hamon e Jean-Luc Mélenchon não fazem da imigração ou do asilo um tema dominante, mas o primeiro propõe um visto humanitário para os refugiados e os dois concederiam direito de voto aos estrangeiros nas eleições locais.

Uma medida que no centro, Emmanuel Macron não leva em conta. Mas ele, assim como Hamon, fala de um "discriminação positiva" na contratação da jovens da periferia.

- Quais instituições ? -

Sobre as instituições, o cursor entre os candidatos é muito movimentado. Fillon e Macron não desejam mudar a Constituição. Mélenchon e Hamon querem uma VI República, com menos poder ao chefe de Estado e mais referendos estaduais de iniciativa popular. Referendos também prometidos por Le Pen, que incluiria a preferência nacional na Constituição.

Fillon introduziria a ideia de quotas de imigração e modificaria o princípio da precaução, que é a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser identificados.

Todos os candidatos, exceto Fillon, iriam introduzir, em diferentes graus, a representação proporcional nas eleições.

Macron e Hamon exigiriam dos políticos eleitos uma ficha judicial limpa. Mélenchon tornaria inelegível perpetuamente os condenados por corrupção.

- Economia e sociedade -

Tradicionalmente, as questões econômicas e sociais opõem direita e esquerda. Mas a estratégia para as classes populares de Le Pen leva-a a se situar, sobre estes assuntos, menos à direita do que François Fillon, que escolheu uma linha econômica muito liberal.

Assim, a idade de aposentadoria seria gradualmente aumentada para 65 anos por Fillon, mantida a 62 (menos em alguns casos) por Hamon e Macron, restabelecida a 60 por Le Pen e Mélenchon.

Fillon revogaria a carga horária obrigatória de 35 horas semanais. Macron e Le Pen a manteria, com modulações, derrogações e horas adicionais. Hamon e Mélenchon querem reduzir o tempo de trabalho.

O imposto sobre grandes fortunas (ISF) seria suprimido por Fillon, amenizado por Macron, mantido por Le Pen, fundido ao imposto sobre a propriedade por Hamon, reforçado por Mélenchon.

Fillon eliminar 500.000 cargos públicos e Macron 120.000, enquanto Mélenchon criaria 200.000.

- Manter a energia nuclear ? -

Mélenchon e Hamon abandonariam progressivamente a energia nuclear, defendida por Fillon e Le Pen, e que Macron quer reduzir a importância.

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