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O embaixador da Coreia do Norte, Kim In Ryong, em Nova York, em 13 de março de 2017

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O Conselho de Segurança da ONU condenou firmemente nesta quinta-feira o último teste de míssil da Coreia do Norte e ameaçou impor novas sanções contra Pyongyang por sua "conduta altamente desestabilizadora".

Em uma declaração adotada por unanimidade, o Conselho solicitou à Coreia do Norte que "não realize mais testes nucleares" e expressou que as "atividades ilegais com mísseis" de Pyongyang estão "aumentando enormemente a tensão na região e fora dela".

Ao mesmo tempo, ameaçou "tomar outras medidas significativas, incluindo sanções", para responder à crise surgida pelos lançamentos de mísseis norte-coreanos.

Em declarações anteriores, o Conselho já havia ameaçado tomar atitudes, mas desta vez o texto especificou a palavra "sanções", destacando um tom mais duro do Conselho.

"Se tivermos que começar a examinar sanções ou outras ações, nós faremos", disse à imprensa a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley.

"Ninguém no Conselho quer que a Coreia do Norte siga adiante com nenhum tipo de teste ou lançamento", acrescentou, enquanto apontou que a declaração da ONU o deixa "muito claro".

O corpo executivo das Nações Unidas aprovou um projeto de resolução proposto pelos Estados Unidos, depois que a Rússia insistiu na necessidade de alcançar uma solução pacífica "por meio do diálogo" e a incluiu na versão final do texto.

A Rússia tinha bloqueado a versão anterior da declaração, emitida depois que Pyongyang realizou um teste frustrado no domingo, quando a China, aliado da Coreia do Norte, apoiou o projeto.

O embaixador interino da Rússia, Petr Iliichev, negou ter bloqueado a declaração e disse que os Estados Unidos romperam "de modo abrupto" as conversas sobre uma postura consensual.

Irã, "principal culpado" por conflitos regionais

Os Estados Unidos exortaram o Conselho de Segurança a prestar mais atenção às atividades "incrivelmente destrutivas" do Irã no Oriente Médio e menos ao conflito israelense-palestino.

Haley considerou que o Irã é o "principal culpado" dos conflitos nesta região.

"A questão israelense-palestina é importante e merece atenção", reconheceu Haley, que considerou, no entanto, que "a natureza incrivelmente destrutiva das atividades iranianas e do Hezbollah no Oriente Médio requerem muito mais atenção".

O embaixador iraquiano na ONU reagiu acusando os Estados Unidos de realizar uma "campanha de propaganda enganosa" contra seu país.

"Os Estados Unidos e o regime israelense querem tirar a questão palestina - que é central em todos os conflitos no Oriente Médio - de todos estes debates", disse Gholamali Khoshroo.

"Ao culpar qualquer um que não seja o ocupante, os Estados Unidos parecem apagar a questão ao invés de abordá-la", acrescentou.

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