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O ministro norte-coreano das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, em Nova York, em 25 de setembro de 2017

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A Coreia do Norte acusou nesta segunda-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de "declarar guerra" ao país asiático, ao enviar aviões caça e bombardeiros perto de sua costa, afirmação que a Casa Branca qualificou de "absurda".

Em uma demonstração de força, os Estados Unidos enviaram no sábado bombardeiros estratégicos para sobrevoar perto da costa da Coreia do Norte, acrescentando pressão militar à tensão política, exacerbada por insultos e ameaças.

"Todos os Estados-membros (da ONU) e o mundo inteiro devem claramente recordar que foram os Estados Unidos que declararam primeiro a guerra ao nosso país", afirmou nesta segunda o chefe da Diplomacia norte-coreana, Ri Yong-Ho, a jornalistas em Nova York.

"Desde que os Estados Unidos declararam guerra ao nosso país, temos todo o direito de adotar medidas, inclusive de abater bombardeiros americanos, mesmo que não estejam em nosso espaço aéreo", acrescentou.

Em coletiva, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, não demorou a responder: "não declaramos guerra à Coreia do Norte e, francamente, tal sugestão é absurda".

As operações militares americanas de sábado "foram realizadas no espaço aéreo internacional, em águas internacionais. Nós temos o direito de voar, navegar e operar em todos os lugares onde é legalmente permitido", explicou o porta-voz do Pentágono, Robert Manning.

Perguntado se os Estados Unidos continuariam com suas demonstrações militares, lembrou os compromissos de defesa com seu aliados Coreia do Sul e Japão. "Se a Coreia do Norte não encerrar suas ações provocativas, ofereceremos ao presidente opções para esse país", continuou.

O ministro sul-coreano das Relações Exteriores, Kang Kyung-wha, declarou ser "muito provável que a Coreia do Norte faça outras provocações e é imprescindível que nós, Coreia e Estados Unidos, administremos esta situação (...) para evitar uma escalada maior das tensões ou qualquer tipo de choque militar acidental que possa fugir rapidamente do controle".

- "Briga de jardim de infância" -

No sábado, Ri já havia repudiado as declarações de Donald Trump contra o seu país, chamando-o de "demente" e "megalomaníaco".

Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente americano ameaçou "destruir totalmente" a Coreia do Norte caso o país atacasse os Estados Unidos, e fez piada com seu líder, Kim Jong-Un, a quem chamou de "homem míssil" empenhado em uma missão suicida.

Estas trocas verbais de rara violência no palanque de uma instituição que deveria garantir a paz e a segurança no mundo provocaram muitos pedidos de calma, principalmente de Moscou.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, reconheceu nesta segunda o complicado ambiente. "Quando temos um agravamento da tensão, a retórica também corre o risco de erros de cálculo" que pode levar "a mal-entendidos", disse. "A única solução é política", afirmou.

O chanceler russo, Sergei Lavrov, que comparou a situação com "uma briga de jardim de infância", advertiu no domingo contra "uma catástrofe imprevisível" em caso de confronto entre os dois países, e pediu um enfoque racional e não emocional para resolver a crise atual.

Em pouco mais de um mês, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade dois pacotes de sanções econômicas cada vez mais severas, em 5 de agosto e 11 de setembro, para obrigar Pyongyang a reiniciar as negociações sobre o seu programa militar com as principais potências, suspensas desde 2009.

Washington anunciou novas sanções econômicas unilaterais em 21 de setembro.

- "Irresponsabilidade" -

"Nosso objetivo continua sendo o mesmo: queremos uma desnuclearização pacífica da península coreana. Esse é o nosso objetivo", disse a porta-voz de Trump nesta segunda-feira, fazendo alusão a uma "pressão econômica e diplomática" o mais forte possível.

Pyongyang realizou nas últimas semanas o sexto teste de uma bomba nuclear e lançou mísseis intercontinentais que sobrevoaram o Japão, alegando que tem que se dotar dessas armas para se defender dos Estados Unidos e de seus aliados.

"Trump afirmou que nossos dirigentes não iam continuar no poder por muito tempo", se indignou nesta segunda o chanceler norte-coreano. "A pergunta de quem vai durar mais (no poder) logo terá uma resposta", acrescentou.

Para o ministro norte-coreano, Pyongyang não tem outra escolha para responder Washington a não ser com "o martelo nuclear de justiça".

"A Coreia do Norte é um Estado nuclear responsável", mas "adotaremos medidas preventivas necessárias e implacáveis (...) se os Estados Unidos e seus vassalos quiserem realizar" ataques contra nosso país, advertiu no sábado.

Na semana passada, a Coreia do Norte ameaçou testar uma bomba de hidrogênio no Oceano Pacífico.

"Seria uma manifestação chocante de irresponsabilidade no âmbito da saúde, estabilidade e de não-proliferação", disse nesta segunda o secretário de Defesa americano, Jim Mattis.

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AFP