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A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira que testou com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM), o que representaria uma nova etapa crucial para alcançar o objetivo de ter a seu alcance o território dos Estados Unidos

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A Coreia do Norte anunciou nesta terça-feira que testou com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM), o que representaria uma nova etapa crucial para alcançar o objetivo de ter a seu alcance o território dos Estados Unidos.

Especialistas americanos afirmaram que o projétil poderia alcançar o Alasca.

O teste provocou uma forte reação do presidente americano Donald Trump, que pediu a China, principal aliado de Pyongyang, para "acabar com este absurdo de uma vez por todas".

A China defendeu os "esforços incessantes" para resolver o problema nuclear norte-coreano e pediu "contenção" a todas as partes.

Em um comunicado conjunto, Rússia e China pediram que a Coreia do Norte instaure uma "moratória" sobre seus testes nucleares e lançamentos de mísseis e que os Estados Unidos cessem os exercícios militares na região, a fim de diminuir a tensão.

Os dois países clamaram por "moderação e que os países se abstenham de atos de provocação", indicaram os respectivos ministérios das Relações Exteriores em um comunicado comum, após um encontro no Kremlin entre os presidentes Vladimir Putin e Xi Jiping.

Pyongyang, que já realizou cinco testes nucleares e dispõe de um pequeno arsenal atômico, tenta produzir mísseis intercontinentais (ICBM) para alcançar o território americano, uma medida contra o que define como ameaça de invasão dos 28.000 soldados que os Estados Unidos mantêm mobilizados na Coreia do Sul.

Se Pyongyang conseguir efetivamente produzir mísseis balísticos intercontinentais, a avaliação do risco representado pelo regime mudaria radicalmente.

O lançamento "histórico" do míssil Hwasong-14 foi supervisionado pelo líder do país, Kim Jong-Un, de acordo com um boletim de notícias especial da televisão estatal norte-coreana.

A Coreia do Norte é uma "potência nuclear forte" dotada de um "ICBM muito poderoso que pode alcançar qualquer lugar do mundo", anunciou a televisão estatal do país.

"O teste com êxito de um ICBM é um avanço maior na história de nossa república", completou a emissora.

O míssil alcançou uma altitude de 2.802 km e sobrevoou uma distância de 933 km, segundo o canal.

- 'Nada melhor para fazer' -

Os analistas duvidam da capacidade de Pyongyang para miniaturizar uma ogiva nuclear e armar um míssil, assim como de sua capacidade para controlar a tecnologia de retorno à atmosfera, necessária para um míssil intercontinental.

Mas todos os especialistas concordam sobre os avanços consideráveis dos programas balístico e nuclear de um dos países mais isolados do mundo desde 2011, quando Kim Jong-Un chegou ao poder.

O lançamento, detectado durante a manhã pelas forças sul-coreanas, japonesas e americanas, provocou uma forte resposta de Donald Trump.

"Este cara não tem nada melhor para fazer com sua vida?", questionou no Twitter em referência ao norte-coreano Kim Jong-Un.

"É difícil acreditar que Japão e Coreia do Sul vão suportar isto por muito mais tempo", completou.

A ONU adotou várias séries de sanções contra a Coreia do Norte por seus programas armamentistas.

O "míssil balístico não identificado" foi lançado de uma área próxima a Banghyon, na província de Phyongan Norte, na fronteira com a China, informou o Estado Maior-Conjunto sul-coreano em um comunicado. O projétil caiu no Mar Oriental, como os coreanos chamam o Mar do Japão.

O exército americano informou que seria um projétil de alcance intermediário, que voou durante 37 minutos, um período bastante longo.

As Forças Armadas da Rússia também concluíram que era um míssil balístico de médio alcance.

O ministério da Defesa do Japão calculou, no entanto, que o míssil "alcançou uma altitude que superou amplamente os 2.500 km" e caiu na zona econômica exclusiva japonesa.

- 'É um ICBM' -

"É isto aí. É um ICBM. Um ICBM que pode atingir Anchorage, não San Francisco, mas ainda assim", escreveu no Twitter Jeffrey Lewis, pesquisador do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, com sede na Califórnia.

David Wright, analista da organização Union of Concerned Scientists, afirmou, com base nos dados disponíveis, que o projétil realizou potencialmente uma trajetória "muito curva" e "poderia alcançar no máximo 6.700 km com uma trajetória padrão".

"Este alcance não é suficiente para alcançar os 48 estados (ao sul do Canadá) ou as maiores ilhas do Havaí, mas seria suficiente para atingir todo o Alasca", explicou.

"Este disparo mostra claramente que a ameaça aumentou", afirmou o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.

Estados Unidos, Coreia do Sul e Japão se reunirão esta semana à margem do encontro de cúpula do G20. O premier japonês pediu aos presidentes da China e Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, que adotem mais "medidas construtivas".

O presidente sul-coreano Moon Jae-In, que defende uma política de sanções a Coreia do Norte combinada a esforços para que Pyongyang retorne à mesa de negociações, advertiu ao Norte que existe uma "linha vermelha" que não deve ser ultrapassada.

"Espero que a Coreia do Norte não chegue ao ponto de não retorno", disse.

A União Europeia disse que poderá impor novas sanções à Coreia do Norte, depois de ter ampliado no mês passado sua lista de dirigentes e entidades castigados por Bruxelas.

Enquanto isso, os Estados Unidos pediram nesta terça-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. A reunião deverá ocorrer na quarta-feira.

AFP