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Kim Dong-Chul, coreano-americano, preso em 25 de março

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A Coreia do Norte anunciou neste domingo a prisão de um cidadão americano por "atos hostis", duas semanas depois de prender outro indivíduo do mesmo país, informou a agência estatal de notícias KCNA.

Kim Hak Song foi preso no sábado. "Uma instituição relevante está conduzindo uma investigação detalhada sobre os seus crimes", acrescentou a fonte.

Com esta detenção, são quatro os cidadãos dos Estados Unidos presos na Coreia do Norte, o que pode inflamar ainda mais a tensão entre Pyongyang e Washington.

Segundo a KCNA, Kim Hak Song trabalha para a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (USTP), assim como o seu compatriota preso no mês passado.

A universidade USTP, fundada por evangelistas cristãos estrangeiros, foi inaugurada em 2010 e conta com alguns professores americanos. Seus alunos são geralmente os filhos da elite.

Em Washington, o departamento de Estado indicou em um comunicado estar "ciente das informações segundo as quais um cidadão americano foi detido na Coreia do Norte".

"A segurança dos cidadãos americanos é uma das prioridades do departamento de Estado. Quando um cidadão americano é preso na Coreia do Norte, trabalhamos com a embaixada da Suécia em Pyongyang, que serve de potência protetora dos Estados Unidos na Coreia do Norte", acrescenta a diplomacia americana, sem fornecer maiores detalhes.

Os Estados Unidos não mantém qualquer relação diplomática ou consular com a Coreia do Norte. É a embaixada da Suécia em Pyongyang que presta serviços consulares limitados aos cidadãos americanos presos no país.

A Coreia do Norte confirmou na quarta-feira a prisão em 22 de abril no aeroporto de Pyongyang de outro professor americano, Kim Sang-Duk, também chamado de Tony Kim, a quem acusou de cometer "atos criminosos hostis visando derrubar a RPDC", a República Popular Democrática da Coreia.

Na ocasião, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, havia denunciado a prisão como um meio de pressão do governo norte-coreano em meio à tensão internacional provocada pelos testes nucleares e balísticos de Pyongyang.

Dois outros americanos já estavam presos neste país: Otto Warmbier, um estudante condenado no ano passado a 15 anos de trabalhos forçados por ter roubado material de propaganda, e Kim Dong-Chul, um pastor coreano-americano preso por espionagem.

A Coreia do Norte deteve vários cidadãos americanos na última década, libertando-os em seguida depois de visitas de funcionários ou ex-funcionários de alto escalão dos Estados Unidos.

Na sexta-feira, a Coreia do Norte acusou a CIA de uma conspiração para assassinar o líder norte-coreano Kim Jong-Un.

A acusação foi divulgada após a intensificação da guerra verbal entre Coreia do Norte e Estados Unidos nas últimas semanas. O governo de Donald Trump adotou uma retórica áspera, dizendo estar pronto para, sozinho, resolver a questão norte-coreana.

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