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(1991) O desenhista italiano Hugo Pratt

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Com seus 50 anos recém-completados, Corto Maltese chega com uma nova aventura na África equatorial, pelas mãos dos autores espanhóis Juan Díaz Canales e Rubén Pellejero.

Passaram-se dois anos desde publicação de "Sob o sol da meia-noite", o álbum com o qual estes dois veteranos dos quadrinhos reviveram o aventureiro e capitão da Marinha Mercante criado pelo desenhista italiano Hugo Pratt em 1967, e agora conhecido no mundo inteiro.

O lançamento acabou com 20 anos de um hiato, causados pela morte de Pratt em 1995, e o sucesso editorial foi tanto que a vida de Corto se anuncia longa, já que além do número previsto em setembro ('Equatoria'), os editores prometem mais entregas depois.

A nova aventura de Corto se passa em 1911 e na maior parte na África central, antes de passar pelos portos de Veneza, Alexandria e Zanzibar.

O roteirista Juan Díaz Canales, conhecido pela série Blacksad, contou à AFP que teve que fazer um trabalho de pesquisa "complicado, porque a nível geográfico as fronteiras mudaram muito" desde então.

O álbum respeita muitos padrões usados por Pratt, como as páginas com quatro tiras, as gaivotas e as características do personagem, bronzeado por conta de suas aventuras nos mares, nas selvas e em paisagens congeladas.

Mas também conta com novidades. "O tratamento gráfico das mulheres, inúmeras em 'Equatoria', é muito próprio de Rubén Pellejero", criador com o argentino Jorge Zentner do antiherói Dieter Lumpen, influenciado por Corto. "E a forma de escrever os diálogos se aproxima mais com o feito em Blacksd", explica Díaz Canales.

"Quisemos juntar a fidelidade a uma estética e a nossa própria evolução", afirma Pellejero, que diz se sentir "entre duas águas", ou seja, entre o respeito à figura criada por Hugo Pratt e sua própria iniciativa como autor.

Em um plano mais técnico, Pellejero reconhece que "o rosto e a atitude [do personagem] são muito complicados de desenhar. E se você se afasta disso, fica um senhor com chapéu e costeletas que não é Corto Maltese".

À plasticidade do personagem ajuda, não obstante, ser um clássico "adaptável a qualquer época", reconhecido por valores como a liberdade e a solidariedade com as pessoas, além de um aspecto sedutor e uma ironia característica, aponta Díaz Canales.

Ao escolher o ano de 1911, os dois autores continuam explorando uma época que Hugo Pratt obviou em suas 12 obras, o período compreendido entre o fim da guerra russo-japonesa em 1905 e o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

"Sob o sol da meia-noite", ambientado em 1915, já adentrou essa época com uma aventura no Grande Norte americano e canadense. Lá, Corto Maltese, filho de uma cigana andaluz e de um marinheiro da Royal Navy, cruza, entre outros, com o escritor Jack London.

- Um personagem renovado -

Este ano é o aniversário de 50 anos da publicação de "A balada do mar salgado" na revista italiana Sergent Kirk.

Tanto a sociedade suíça Cong, proprietária dos direitos do autor, como a editora de Corto Maltese na Espanha, Norma, se mostram otimistas com esta 14ª aventura, após o sucesso de "Sob o sol da meia-noite", do qual foram lançados 220.000 exemplares.

E, segundo Luis Martínez, editor da Norma, "a nova etapa de Corto Maltese começou forte".

"'Sob o sol da meia-noite' agradou muito o fã de sempre de Corto Maltese, e também graças a ele conseguimos novos leitores", afirma.

"Equatoria" sairá nas livrarias francesas em 27 de setembro, e dois dias mais tarde nas espanholas, a cores e em preto e branco.

No mesmo mês será publicada na Itália e a tiragem total entre os três países será de 200.000 exemplares.

Segundo Cong, nos últimos anos as histórias de Corto Maltese foram vendidas em torno de 100.000 cópias em todo o mundo. Em 2015, com a "ressurreição" do personagem, esse número triplicou.

AFP