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Costa Concordia chega ao porto italiano de Gênova para ser desmantelado

Costa Concordia chega ao porto de Gênova em 27 de julho de 2014 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. julho 2014 - 13:43
(AFP)

O navio Costa Concordia chegou neste domingo arrastado por vários rebocadores ao porto de Gênova, onde será desmantelado, dois anos e meio depois de ter naufragado em um acidente no qual 32 pessoas morreram.

O esqueleto do barco, duas vezes maior que o Titanic, que primeiro foi endireitado e depois rebocado em uma delicada operação técnica, entrou no porto italiano depois de completar com sucesso sua viagem de 280 km a partir da Ilha de Giglio, onde havia naufragado.

O "gigante do mar" estava encalhado nesta ilha turística desde seu naufrágio, no dia 13 de junho de 2012, com 4.200 pessoas a bordo.

Durante quatro dias, o barco foi rebocado e transportado sem problemas, apesar dos temores de que pudesse poluir o mar com os líquidos tóxicos que ainda estão em seu interior.

"Tudo correu bem", declarou aos jornalistas o ministro italiano do Meio Ambiente, Gian Luca Galletti, embora tenha afirmado que hoje não é um dia de festa, lembrando as vítimas do naufrágio.

Durante a madrugada o Costa Concordia chegou em frente à costa de Gênova, onde começaram as operações preliminares para sua entrada no porto.

Também está prevista para este domingo uma nova manobra para imobilizar definitivamente o barco no porto de Gênova, indicou o chefe da defesa civil italiana, Franco Gabrielli.

A chegada de curiosos para ver a operação provocou congestionamentos em um trecho da estrada A10 que passa por cima do porto e, apesar da proibição, muitos carros estacionaram na beira da estrada para observar a embarcação.

Construído em 2006 nos estaleiros genoveses de Sestri Ponente, o retorno a Gênova do barco que foi o maior da história da marinha italiana coloca fim a uma trágica odisseia que também gerou um desafio técnico sem precedentes.

A operação, dirigida pelos estaleiros do Costa e efetuada pelo consórcio Titan-Micoperi entre Estados Unidos e Itália, consistiu primeiro em endireitar o navio, estabilizá-lo e por último rebocá-lo a Gênova.

As manobras custaram cerca de 1,5 bilhão de euros.

Reciclagem

Durante meses, o navio esteve encalhado e em parte submerso entre as rochas a poucos metros da costa da Ilha de Giglio, uma imagem que deu a volta ao mundo e colocou em xeque o prestígio da marinha italiana.

O naufrágio também evidenciou a covardia do capitão, Francesco Schettino, que abandonou o barco antes dos passageiros e está sendo julgado por homicídio culposo, naufrágio e abandono de navio.

"A operação não foi fácil (...) Mas foi realizada por uma Itália que, quando quer, é capaz de tudo e de nos surpreender positivamente", declarou o primeiro-ministro italiano, que se dirigirá neste domingo a Gênova.

Agora começará o processo de desmontagem e reciclagem deste gigante de 114.500 toneladas de peso. Acredita-se que entre 40.000 e 50.000 toneladas de aço possam ser reutilizadas pela indústria siderúrgica para fabricar materiais de construção, entre outros.

Também será possível reciclar os cabos elétricos de cobre, as máquinas, alguns móveis e as paredes de vidro. Alguns dos restos podem inclusive formar parte do Museu do Mar de Gênova.

A chegada da embarcação a Gênova, antiga potência marítima, dará trabalho a centenas de pessoas por cerca de dois anos.

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