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Cresce campanha contra Bolsonaro no Brasil

O candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL), durante um debate presidencial, em 9 de agosto de 2018 em São Paulo afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 24. setembro 2018 - 22:23
(AFP)

Um manifesto assinado por intelectuais, artistas e empresários se somou à crescente campanha nas redes sociais contra o candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, que lidera as intenções de voto para as eleições de 7 de outubro.

"Temos trajetórias pessoais e públicas variadas. Votamos em pessoas e partidos diversos. Defendemos causas, ideias e projetos distintos para nosso país, muitas vezes antagônicos. Mas temos em comum o compromisso com a democracia", assinala o manifesto "Pela democracia, pelo Brasil", que começou a circular no domingo.

"O compromisso com a democracia, com a liberdade, a convivência plural e o respeito mútuo. E acreditamos no Brasil. Um Brasil formado por todos os seus cidadãos, ético, pacífico, dinâmico, livre de intolerância, preconceito e discriminação...".

"Mas quando, no entanto, nos deparamos com projetos que negam a existência de um passado autoritário no Brasil, flertam explicitamente com conceitos como a produção de nova Constituição sem delegação popular, a manipulação do número de juízes nas cortes superiores ou recurso a autogolpes presidenciais, acumulam declarações francamente xenofóbicas e discriminatórias contra setores diversos da sociedade, refutam textualmente o princípio da proteção de minorias contra o arbítrio e lamentam o fato das forças do Estado terem historicamente matado menos dissidentes do que deveriam, temos a consciência inequívoca de estarmos lidando com algo maior, e anterior a todo dissenso democrático", adverte o documento firmado por cerca de 400 empresários, economistas, intelectuais e artistas como Alice Braga, Chico Buarque, Caetano Veloso, Fernando Meirelles e Walter Salles.

"É preciso dizer, mais que uma escolha política, a candidatura de Jair Bolsonaro representa uma ameaça franca ao nosso patrimônio civilizatório primordial. É preciso recusar sua normalização, e somar forças na defesa da liberdade, da tolerância e do destino coletivo entre nós", destaca o manifesto.

A carreira política de Bolsonaro, um ex-capitão do Exército, é marcada por polêmicas envolvendo declarações misóginas, homofóbicas e racistas, além da defesa de métodos de tortura durante a ditadura militar (1964-1985).

"O erro da ditadura foi torturar e não matar" , disse em junho de 2016. "Deus acima de tudo. Não existe esta história de Estado laico", afirmou em fevereiro de 2017. Também disse entender porque os salários das mulheres são inferiores aos dos homens.

Seu discurso, partidário da flexibilização do porte de armas para combater a criminalidade, atraiu amplos setores, mas também o transformou em um político de alta rejeição, deflagrando as campanhas #EleNão e #EleNunca, promovido pelo grupo de Facebook "Mulheres Unidas contra Bolsonaro".

O grupo criado contra o "machismo e a misoginia" tinha nesta segunda-feira quase três milhões de integrantes.

A campanha #EleNão foi ampliada com a criação de mais de 40 grupos de mulheres, evangélicos, ateus, judeus, cristãos e LGBTQ, todos declaradamente contra o candidato e com milhares de integrantes cada um.

Os artistas também se somaram às mobilizações virtuais, e a última a aderir foi Anitta, após ser questionada nas redes sociais.

- Protesto em mais de 70 cidades -

A adesão de celebridades nas últimas horas alimenta a manifestação "Mulheres contra Bolsonaro", convocada para sábado, 29.

Milhares já confirmaram sua presença nos protestos anunciados para 70 cidades do Brasil e uma dezena de países em todo o mundo, de Argentina a Portugal, passando por Estados Unidos, Holanda e Inglaterra.

Idolatrado por seus partidários, que o chamam de "mito", o deputado de 63 anos não participa de atividades públicas desde 6 de setembro, quando foi esfaqueado em um comício na cidade de Juiz de Fora.

Isto não impediu Bolsonaro de se manter ativo nas redes sociais e de liderar as pesquisas, o que parece lhe garantir uma vaga no segundo turno, em 28 de outubro.

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