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Awni Mustafa, 50 anos, com seus quatro filhos em Kilkis, no dia 3 de agosto de 2017

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Em sua casa adotiva, as crianças Mustafa olham com tristeza para a foto da mãe, que mora em Hamburgo. Elas fazem parte das centenas de refugiados bloqueados na Grécia, que esperam um reencontro com um parente radicado na Alemanha.

Vindos de Aleppo, na Síria, estes quatro irmãos e irmãs, de entre quatro e 15 anos, não veem a mãe desde o fim de dezembro, quando ela conseguiu uma autorização para lhes fazer uma visita durante alguns dias.

E no ritmo em que se concretizam os reagrupamentos familiares, ainda podem esperar meses.

"Decidimos que ela sairia primeiro da Síria porque eu podia garantir melhor a proteção da família", explica à AFP o pai, Awni Mustafa, ex-comerciante e pintor de edifícios.

Assim, a mãe chegou à Alemanha em junho de 2015, no início da onda que levou mais de um milhão de refugiados, sobretudo sírios, iraquianos e afegãos, a atravessar quase sem obstáculos a Grécia até o norte da Europa, entre meados daquele ano e o início de 2016.

Mas os outros membros da família Mustafa chegaram muito tarde, após o fechamento das fronteiras. "E há 18 meses estou sozinho na Grécia com as crianças", lamenta Awni, de 50 anos, de origem curda, segurando as lágrimas. "Isso me desespera", acrescenta.

Recentemente se mudaram para um apartamento em Kilkis, no norte do país, alugado pela agência da ONU para os refugiados (Acnur).

Embora se sinta aliviado de poder sair de seu acampamento nos arredores da cidade e elogie a solidariedade dos habitantes de Kilkis, Awni mantém a sua preocupação com os filhos.

"Precisam de sua mãe", insiste. Por enquanto, mantém contato somente por chamadas de vídeo.

Os solicitantes de asilo podem se reunir com os seus parentes próximos após conseguir uma proteção internacional no seio da União Europeia (UE), a princípio em um prazo de seis meses contados desde a aceitação da demanda.

Mas em maio, um jornal grego de esquerda publicou uma carta em que o ministro de Política Migratória, Yiannis Muzalas, assegurava ao ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, que os traslados para uma reunificação familiar iam "desacelerar como estava acordado".

O ministro grego não desmentiu este documento alegando acordos "técnicos" e provisórios com o objetivo de não aumentar a pressão sobre Berlim.

- "Recuperar uma vida normal" -

Desde então, os interessados multiplicam as manifestações diante da embaixada da Alemanha em Atenas.

A última, em 2 de agosto, reuniu 150 deles, sobretudo mulheres e crianças com cartazes onde podia-se ler, em inglês, "o direito ao reagrupamento não é um crime" e "não podemos esperar mais".

Segundo um dos manifestantes, Shaker Khalil, "a cada mês são aceitos 70 casos de saída quando deveria ser, pelo menos, o triplo".

De acordo com as recentes declarações de Muzalas, os reagrupamentos estão, entretanto, "voltando a aumentar", e nos últimos 12 meses foram aceitas 6.500 demandas.

Mas são realizadas somente 100 traslados ao mês, ou seja, muito menos, segundo uma fonte próxima ao caso.

Em Kilkis, Awni Mustafa não pode mais esperar, mesmo que os seus filhos já estejam inscritos.

"Simplesmente gostaria de saber em qual momento vou poder me reunir com a minha esposa e recuperar uma vida normal. Só uma data precisa. Mas nem isso podem me dar", lamenta.

O grande êxodo de 2015-2016 deixou cerca de 60.000 demandantes de asilo bloqueados na Grécia.

Aqueles, como a família Mustafa, surpreendidos pelo fechamento das fronteiras no fim de fevereiro de 2016, estão alojados em acampamentos ou apartamentos na Grécia continental à espera de obter asilo no país ou em outro da UE.

Os demais, quase 10.000, chegados após a entrada em vigor do acordo migratório entre UE e Ancara, em 20 de março de 2016, a princípio terão que a voltar para a Turquia, e já estão aglomerados nas ilhas do Egeu oriental, onde as chegadas, em dezenas e às vezes centenas, continuam cotidianamente.

AFP