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(Março) Avião da Qatar Airways pousa em Los Angeles

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A Qatar Airways tornou em poucos anos Doha um centro de operações mundial, mas sua posição de grande companhia aérea é ameaçada pela proibição de sobrevoar os países vizinhos, consequência da grave crise no Golfo.

Assim como as companhias Emirates, de Dubai, e Etihad, de Abu Dhabi, a companhia aérea do Catar conseguiu controlar parte da atividade de trânsito mundial graças à sua invejável localização geográfica na região do Golfo.

Graves divergências políticas entre Catar, por um lado, e Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, pelo outro, levaram na semana passada a uma ruptura de relações diplomáticas e a sanções, como o fechamento do espaço aéreo desses três países à Qatar Airways.

Essas medidas geraram o cancelamento de dezenas de voos diários da empresa catari, assim como dos outros três países do Golfo, que já não voam para Doha.

Além disso, obrigam aviões da Qatar Airways a realizar rotas alternativas em seus destinos intercontinentais, evitando o vasto reino saudita e o Bahrein.

"O impacto já é negativo pois aumenta os tempos de voo e gera aumento de custos", afirma o especialista Addison Schonland da companhia AirInsight, baseada nos Estados Unidos. Isso provocará uma "grande redução dos lucros", acrescenta.

O Catar está cercado pelo espaço aéreo do arquipélago do Bahrein, que cobre grande parte das águas do Golfo, e seus aviões cruzam habitualmente o amplo espaço aéreo saudita, para voar para Oriente Médio, África e América Latina.

- Duas horas a mais para São Paulo -

Hoje, com as proibições vigente, o tempo de voo até São Paulo aumentou duas horas, segundo os sites aéreos.

Os voos da Qatar Airways no norte da África passam agora por Irã e Turquia para chegar ao Mediterrâneo, em vez de sobrevoar Arábia Saudita e Egito, outro país que também tomou medidas contra o governo de Doha.

Os voos para a Europa têm sido menos afetados porque continuam passando pelo céu do Irã, com um pequeno desvio para evitar o espaço aéreo do Bahrein.

Segundo autoridades iranianas, uma centena de voos adicionais cruzam diariamente o céu de seu país desde o início da crise, representando um aumento de 17% dos voos internacionais.

"Os itinerários dos voos e o consumo de combustível vão aumentar" para a Qatar Airways, afirma o especialista em aviação Kyle Bailey.

Cerca de 90% do tráfego da Qatar Airways em Doha depende do trânsito, segundo um relatório da CAPA Centre for Aviation, um grupo de assessoria.

- Perda 'devastadora' -

Arábia Saudita e Emirados representam os dois maiores mercados para a Qatar Airways, lembra Kyle Bailey.

Sua perda será "devastadora para o balanço financeiro da companhia, que perderá cerca de 30% de seu volume de negócios", prevê.

A Qatar Airways revelou no domingo um lucro líquido em alta de 22%, a 482 milhões de euros para o exercício 2016/2017 encerrado em 31 de março, pouco antes do início da crise.

A Qatar Airways é a maior transportadora estrangeira operando nos Emirados, segundo a CAPA. Parte do tráfego intercontinental poderia ser recuperado pela Emirates e a Etihad, segundo os analistas.

As duas companhias do Emirados têm amplas redes mundiais e, junto com a Qatar Airways, geraram a indignação das transportadoras aéreas europeias e norte-americanas, que as acusam de beneficiar-se de subsídios públicos para desenvolver seus mercados.

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