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Refugiados rohingyas no campo de Balukhali, em Bangladesh

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Na véspera do discurso de Aung San Suu Kyi, o cerco se fechou mais um pouco nesta segunda-feira (18) em Mianmar, com a Human Rights Watch exigindo sanções contra o Exército birmanês, acusado de "limpeza étnica" após o êxodo de mais de 410.000 rohingyas muçulmanos.

A HRW convidou as Nações Unidas, na véspera de sua Assembleia Geral em Nova York, a impor sanções específicas e um embargo sobre as armas.

"Os comandantes militares de Mianmar serão mais propensos a responder às chamadas da comunidade internacional, se houver consequências econômicas reais", comentou John Sifton, da HRW.

A ONU já denunciou uma "limpeza étnica" realizada por Mianmar, cujo Exército conduz uma operação contra os rebeldes rohingyas há mais de três semanas, provocando a fuga em massa de civis.

Cerca de 412 mil refugiados foram para Bangladesh, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). Entre eles, 70 mil mulheres grávidas, ou que acabaram de dar à luz, de acordo com o governo de Bangladesh.

Em três semanas, criou-se um dos maiores campos de refugiados do mundo e as autoridades locais e ONGs, que estão sobrecarregadas, lutam para ajudar os recém-chegados.

Neste caos, os acidentes se multiplicam: duas pessoas idosas morreram nesta segunda-feira pisoteadas por elefantes selvagens. Na ausência de espaço nos assentamentos existentes, os recém-chegados se estabelecem onde podem, desmatando florestas, com o risco de perturbar a vida selvagem.

Todas as colinas da área estão cobertas de lonas pretas, sob as quais os refugiados se abrigam.

No sábado, duas crianças e uma mulher morreram em uma confusão. Esgotadas e sem nada, com fome após dias de caminhada na chuva, multidões imensas tentam pegar roupas, ou alimentos jogados durante distribuições improvisadas.

- Novos incêndios -

E enquanto os rohingyas continuam a chegar, os incêndios em seus vilarejos prosseguem.

"No distrito de Maungdaw, o Exército incendeia aldeias todos os dias", afirma Chris Lewa, do projeto Arakan, uma organização de defesa dos direitos dos rohingyas, cujo trabalho tem sido usado há anos pelas Nações Unidas.

Muitos temem que esses rohingyas fiquem bloqueados por anos em Bangladesh: Mianmar anunciou que não aceitará de volta aqueles que partiram, considerando-os cúmplices dos rebeldes rohingyas, chamados de "terroristas" pelo governo.

"Aqueles que fugiram de suas aldeias viajaram para outros países por medo de serem presos, porque estão envolvidos em ataques violentos", declarou no sábado o serviço de imprensa de Aung San Suu Kyi.

Pressionada por todos os lados, a líder birmanesa finalmente falará na terça-feira, às 10h (00h30 de Brasília).

Ela se vê entre a comunidade internacional, muito crítica, e a população birmanesa, marcada por um forte racismo antimuçulmano.

Aung San Suu Kyi ofereceu até agora apoio incondicional ao Exército, acusado de cometer abusos sob a cobertura de uma operação antiterrorista.

Para Aung San Suu Kyi, a margem de manobra é limitada de acordo com os especialistas.

"A nação birmanesa está sendo construída e decidiu se construir sem os rohingyas. Pensar que esta posição vai mudar é completamente ilusório", diz Mael Raynaud, especialista em Mianmar.

Nesta segunda-feira, em Yangun, manifestantes denunciaram as pressões da comunidade internacional.

A rejeição aos rohingyas, considerados estrangeiros ilegais neste país cuja população é mais de 90% budista, é muito difundida entre a população birmanesa.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas estão sujeitos a inúmeras restrições: não podem viajar, ou se casar, sem autorização, e também não têm acesso ao mercado de trabalho, ou a serviços públicos (escolas e hospitais).

Em Dhaka, pelo menos 20.000 islâmicos vestidos com túnicas brancas e cantando "Deus é grande" marcharam em solidariedade para pedir o fim da violência contra os rohingyas.

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AFP