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(Arquivo) Foto tirada em 13 de maio de 2017 mostra o presidente Donald Trump, em Lynchburg

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O presidente americano, Donald Trump, se defendeu nesta terça-feira da acusação de ter passado informações secretas para a Rússia, alegando que tem o "direito absoluto" de compartilhar dados reservados da Inteligência, em um caso que surpreende inclusive seus aliados no Congresso.

"Como presidente, quis compartilhar com a Rússia [em um evento aberto da Casa Branca], como é meu direito absoluto, fatos sobre terrorismo e segurança aeronáutica", escreveu Trump em uma série de tuítes.

Além disso, expressou o presidente, queria que a "Rússia aumentasse de forma importante sua participação na luta contra o EI [Estado Islâmico] e o terrorismo".

Desde a tarde de segunda-feira, Trump se encontra no centro de um escândalo de alcance imprevisível por denúncias de ter dado ao chanceler russo, Serguei Lavrov, informações da Inteligência consideradas extremamente secretas.

Na semana passada, recebeu no Salão Oval o chanceler e, de acordo com relatos de vários meios, nesta conversa mencionou que o EI planejava ataques contra os Estados Unidos utilizando laptops em voos.

Segundo fontes de alto escalão do governo, esta informação foi oferecida aos Estados Unidos por um aliado com a condição de não repassá-la a ninguém, nem mesmo a outros países aliados, para não expor a fonte.

Durante uma cerimônia junto com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, Trump disse nesta terça-feira que "tivemos uma reunião bem-sucedida com o ministro russo das Relações Exteriores", mas sem dar mais detalhes.

- Diálogo apropriado -

Em uma tentativa de dirimir as suspeitas, o conselheiro de Segurança Nacional, o general Herbet McMaster, negou nesta terça que Trump tenha dito algo "inapropriado" a Lavrov, reiterando que as denúncias se baseiam em uma história "falsa".

"De nenhuma maneira o presidente manteve um diálogo inapropriado ou que resultasse em qualquer forma em uma exposição da segurança nacional", disse McMaster.

Não obstante, o conselheiro da presidência admitiu que Trump não havia sido informado de que a fonte desse dado sobre a segurança aeronáutica era extraordinariamente sensível.

Na visão de McMaster, Washington e Moscou possuem "interesses comuns" sobre o Estado Islâmico, e os dois países se beneficiariam de dados de Inteligência sobre como melhorar sua segurança aérea.

Por isso, é "completamente apropriado" compartilhar informações com a Rússia, disse McMaster.

No entanto, Moscou optou por minimizar todo o episódio. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, opinou que todo o caso era "um grande absurdo" e que "não é um tema que possamos confirmar ou negar".

Maria Zajarova, porta-voz da chancelaria russa, afirmou no Facebook que todo o escândalo não passava de uma "notícia falsa".

- Terremoto político -

Este novo escândalo surge em meio ao terremoto político gerado há uma semana pela demissão de James Comey como diretor do FBI (a Polícia Federal americana), que investigava os contatos entre a Rússia e o comitê de campanha de Trump nas eleições do ano passado.

Em um gesto que acelerou as tensões políticas em um país com os nervos à flor da pele, Trump recebeu Lavrov na Casa Branca um dia depois de demitir Comey.

Com a interminável polêmica sobre a suposta ingerência russa nas eleições do ano passado para beneficiar Trump, a imprensa americana esperava que o tema fosse ao menos mencionado no encontro no Salão Oval.

O influente senador republicano John McCain afirmou nesta terça-feira que as denúncias são "profundamente perturbadoras".

No plenário do Senado, o legislador democrata Tom Udall foi mais brutal: "não acredito que haja um paralelo em nossa história de semelhante falta de discrição presidencial ou tão perigosa incompreensão sobre como administrar informações secretas".

O chefe do bloco democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que a gravidade das denúncias tornou necessário que "o governo forneça ao Congresso a transcrição da conversa do presidente Trump com os funcionários russos".

Inclusive o senador Bob Corker, líder da comissão de Relações Exteriores, admitiu que a Casa Branca está em uma "espiral descendente" e considerou urgente que "façam algo para recuperar o controle e a ordem. É o que tem que acontecer".

O mais antigo senador no cargo, o democrata Patrick Leahy, disse à imprensa que "nossas instituições estão caindo aos pedaços".

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