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O presidente cubano, Raúl Castro (C), chega ao aeroporto de Punta Cana, no dia 24 de janeiro de 2017

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Opositores cubanos denunciaram nesta terça-feira que estão sendo ameaçados com prisões e o confisco de bens para impedir que se apresentem como candidatos ao processo eleitoral que levará à substituição do presidente Raúl Castro em fevereiro de 2018.

A dissidência, sem status legal, quer apresentar aspirantes a vereadores nas eleições municipais de novembro, primeiro elo de uma longa cadeia que, em teoria, poderá fazer parte do Parlamento que escolhe o chefe de Estado.

Entretanto, enfrenta o categórico repúdio do governo comunista de abrir o sistema de partido único que rege a ilha há mais de cinco décadas.

Manuel Cuesta, dirigente de uma plataforma que agrupa pequenas organizações opositoras, citou pelo menos cinco casos de ativistas que foram ameaçados com expulsão do trabalho ou foram presos sob acusações de roubo, após anunciar a intenção de se candidatar.

"Este é o caso de Alexei Gámez, em Matanzas, que também teve suas propriedades confiscadas e [foi] acusado, porque será candidato. Este é o caso de Irisael Sánchez, um jovem padeiro que foi ameaçado de ser expulso porque optou ser candidato", comentou com jornalistas.

Aqui, acrescentou Cuesta, "a lei a penal é para os inimigos e os direitos para os revolucionários [...], é um padrão, uma matriz que o governo cubano está impondo contra aqueles que decidiram se apresentar como candidatos independentes".

Nas municipais de 2015, a dissidência conseguiu apresentar dois aspirantes que foram derrotados.

Na mesma reunião com a imprensa, o líder do Movimento Somos+, Eliécer Ávila, assegurou que agentes do Estado inspecionaram sua casa no sábado e levaram vários objetos, e foi notificado de um processo penal por "receptação e atividade econômica ilícita", crime punido com até nove meses de prisão.

Ávila, um engenheiro de informática de 31 anos, voltou da Colômbia na quinta-feira e no aeroporto de Havana as autoridades confiscaram seu computador sem "justificativa alguma", o que segundo ele o motivou a protestar durante várias horas no terminal.

"Estão tomando medidas precocemente para que nenhum cidadão independente, que não responda a seus interesses, possa apresentar-se como candidato a vereador", assinalou.

As autoridades não costumam se pronunciar sobre as denúncias de opositores, a quem historicamente acusaram de ser mercenários que querem destruir a revolução cubana.

Cuesta indicou que há "109 candidatos que estão dispostos" a se candidatar nas próximas eleições, e que, apesar das manobras do governo, vão perseverar.

Ao mesmo tempo, criticou o governo de agir contra grupos que, para ele, tentam dar "credibilidade ao sistema eleitoral cubano" - questionado fora da ilha por sua falta de democracia - dando "alternativas políticas distintas".

Raúl Castro, de 85 anos, deixará o poder que assumiu em 2006, após a doença de seu irmão Fidel, falecido em novembro, embora continue à frente do poderoso Partido Comunista de Cuba.

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AFP