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Uma mulher acessa a internet por meio de rede Wi-Fi ilegal, em Cuba, no dia 28 de novembro de 2014, em Havana

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O monopólio estatal de telecomunicações cubano Etecsa anunciou nesta quinta-feira que abrirá em julho 35 áreas públicas com wi-fi e reduzirá pela metade a tarifa das conexões em um esforço para expandir a conectividade limitada na ilha.

Com a abertura destas áreas de navegação wireless "em aspaços públicos em todo o país", será cumprida "a primeira fase de implementação de mais uma estrada de acesso" à Internet, disse o diretor de comunicações da Etecsa, Luis Manuel Diaz.

O gerente, citado pelo jornal Juventude Rebelde, disse que o preço da hora de navegação vai cair para 2 dólares, metade da taxa atual - mas vai continuar a ser um luxo para a maioria dos cubanos.

A nova tarifa começará a ser aplicada em 1 de julho e "aumentará a quantidade de acessos de forma efetiva entre a população cubana, embora ainda não seja o preço desejado", informou Díaz.

A abertura das 35 zonas de wi-fi na ilha - cinco delas em Havana - faz parte de uma estratégia nacional, anunciada em abril, para prover internet "a todos os cubanos" até 2020, alinhada à "Agenda Conectar 2020" aprovada em 2014 pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Cuba "se prepara e projeta estrategicamente para cumprir" as metas da "Agenda Conectar 2020", disse à época o diretor-geral de Informática do Ministério das Comunicações, Ernesto Rodríguez.

Essa agenda estabelece, entre outras metas para cumprir até 2020, que "nos países em desenvolvimento, 50% das pessoas físicas deveriam utilizar a internet" ou "ter acesso" à rede em seus lares, e que os "serviços de banda larga não deveriam representar mais do que 5% da renda média mensal" das famílias.

No entanto, especialistas independentes estimam que a ilha comunista não pode cumprir o objetivo ambicioso da UIT sem permitir a entrada de investidores estrangeiros ao seu mercado restrito de telecomunicações.

- Poucas conexões domiciliares -

A Etecsa mantém vigente desde fevereiro uma redução de 45% (de 4,50 a 2,5 dólares a hora) na tarifa que cobra nas 155 salas públicas de acesso à internet existentes em Cuba.

Estas salas dispõem de conexões de alta velocidade de dois mega, algo raro na ilha. Mas apesar do desconto, a tarifa continua sendo cara para os cubanos, com um salário médio de 20 dólares ao mês.

Díaz explicou que o único requisito para acessar às novas "redes Wifi-Etecsa" é "ter uma conta de acesso Nauta", que os cubanos podem comprar em qualquer escritório da empresa por 1,5 dólares.

Em Cuba o acesso à internet é muito limitado e as conexões privadas estão estritamente reguladas pelo estado. Apenas 3,4% dos lares tinham acesso à rede mundial de computadores em 2013, uma das coberturas mais baixas do mundo, segundo a UIT.

Como parte do processo de aproximação entre Estados Unidos e Cuba iniciado em dezembro, o presidente Barack Obama decidiu ajudar a ilha desenvolver sua infra-estrutura de telecomunicações, e várias empresas americanas como a gigante IDT Domestic Telecom já começaram operações com a ilha.

Um diretor do Google Ideas que visitou Cuba recentemente aconselhou as autoridades cubanas a aproveitarem o atraso tecnológico e "saltarem" diretamente para os telefones celulares e tablets, de acordo com a revista online OnCuba.

AFP