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(Arquivo) Vista de uma rua de Havana

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Os cubanos compareceram às urnas no domingo para eleger suas autoridades municipais, num pleito em que participam pela primeira vez dois oponentes ao governo comunista da ilha - que vê a disputa como um ato de "verdadeira democracia".

Os opositores, no entanto, foram derrotados.

Mais de oito milhões de cubanos maiores de 16 anos (em uma população de 11,1 milhões) estavam registrados para escolher 12.589 vereadores de uma lista de 30.000 candidatos pré-selecionados nas assembleias dos bairros.

O índice de participação foi de 85,19%, segundo a Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

O líder da revolução cubana, Fidel Castro, de 88 anos e que cedeu, por causa de uma doença, o comando do governo em 2006 ao irmão Raúl, emitiu o voto em casa e o entregou às autoridades eleitorais, que o depositaram em uma urna diante das câmeras de televisão.

Em um feito inédito, dois opositores ao governo comunista, o advogado e jornalista independente Hildebrand Chaviano, 65 anos, e o técnico em informática Yuniel López, 26, apareceram na lista de candidatos de dois municípios de Havana, mas não foram eleitos.

Os dois afirmaram que o governo mobilizou os moradores para que votassem nos candidatos rivais.

Chaviano recebeu 138 votos e López 233, menos que os respectivos rivais, segundo os próprios candidatos.

Apesar da derrota, Chaviano ficou satisfeito por ter sido candidato.

"Esta é uma mensagem que o governo está recebendo", disse à AFP, que diz não acreditar que sua candidatura e a de Lopez signifiquem que o governo tenha "afrouxado os parafusos do poder".

"Simplesmente nós escorregamos pela fresta deixada aberta e isso os pegou de surpresa. Agora, as pessoas votaram e isso não pode ser revertido", acrescentou.

Chaviano e López afirmaram que as autoridades os acusaram de pertencer a grupos "contrarrevolucionários" para persuadir os eleitores a optar pelos rivais.

A imprensa estatal destacou a eleição, mas ignorou solenemente os opositores.

Em Cuba o voto não é obrigatório, mas os partidários do governo chamam todos a participar, enquanto mantêm uma campanha midiática intensa de convocação às urnas.

As autoridades defendem o sistema eleitoral, estabelecido em 1976, como o "mais democrático e transparente", mas os dissidentes criticam o processo e afirmam que Partido Comunista, apesar de não apresentar candidatos, supervisiona e assegura, com sua influência e o voto de seus militantes e simpatizantes, que nenhum dissidente seja eleito.

AFP