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(15 set) Curdos da Síria participam em Qamishli de manifestação em favor do referendo no Curdistão iraquiano

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Os curdos da Síria organizam inéditas eleições locais em suas regiões, a partir desta sexta-feira (22), movimento que preocupa os governos sírio e turco, abertamente contrários ao referendo sobre a independência previsto para a próxima segunda-feira (25) no Curdistão iraquiano.

Reprimidos por Damasco, os curdos sírios aproveitaram a guerra que assola o país para estabelecer uma autonomia "de facto" nos territórios sob seu controle, no norte e no nordeste. Eles representam 15% da população total da Síria.

Apoiadas pelos Estados Unidos, as forças curdas estão na linha de frente da luta contra o grupo Estado Islâmico (EI) e chegaram a controlar outras áreas, além daquelas majoritariamente curdas.

Em março de 2016, os territórios semiautônomos anunciaram a criação de uma "região federal", integrada por três cantões: Afrine, na província de Aleppo (norte); Furat, entre Aleppo e a província de Raqa; e Jaziré, na província de Hasaké (nordeste).

- 'Sistema federal' -

As inéditas eleições estão divididas em três etapas.

Na sexta (22), acontecem as eleições "comunais" para eleger o equivalente a um comitê dirigido por "prefeitos". Em 3 de novembro, uma nova votação determinará "conselhos municipais". No fim, em 19 de janeiro de 2018, os habitantes vão eleger conselhos legislativos e uma assembleia legislativa para toda a região federal.

Os curdos negam que estejam buscando a partição da Síria, garantindo que as eleições não excluem as minorias de suas regiões - em particular, os árabes.

"Essas eleições vêm reforçar o sistema federal", disse à AFP Saleh Moslem, copresidente do Partido da União Democrática Curda (PYD), principal sigla curda do país.

"Fazemos parte da Síria (...) Nossa reivindicação não é, em absoluto, como a do Curdistão iraquiano", alegou.

Nessa região do norte do Iraque, que tem desde 1991 um status de autonomia que se ampliou ao longo dos anos, está previsto um referendo sobre o tema em 25 de setembro. Vários países se pronunciaram contra a consulta.

Segundo especialistas ouvidos pela AFP, os partidos curdos sírios de oposição não participarão do pleito eleitoral, classificado de "simulacro de democracia" pelo geógrafo Fabrice Balanche, já que todos os participantes "são membros de uma coalizão dirigida pelo PYD".

Segundo Balanche, Washington não tem-se mostrado muito crítico em relação às ambições dos curdos, devido à sua ajuda essencial na luta contra o EI.

- 'Como na Bélgica' -

Com as eleições que começam amanhã, as autoridades locais curdas aspiram a um sistema similar ao de municípios na Europa, explica Saleh Moslem.

"Os povoados, os bairros, estarão organizados em municípios, como na Bélgica, por exemplo", afirma.

Para o especialista em assuntos curdos Mutlu Civiroglu, "é importante que os curdos mostrem ao regime que a situação no norte da Síria é diferente agora: são eles que estão no comando, não Damasco".

De acordo com Civiroglu, "os curdos veem essa experiência (eleitoral) como uma verdadeira implementação de um sistema descentralizado" e como "uma mensagem para toda Síria, em geral".

A Turquia considera que o PYD e seu braço armado, as Unidades de Proteção do Povo Curdo(YPG), são um desdobramento na Síria do Partido dos Trabalhadores do Curdistão turco (PKK). Para Ancara e para seus aliados ocidentais, trata-se de uma "organização terrorista".

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AFP