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Iraniano lê jornal com a seguinte manchete: "Trump maluco e lógico JCPOA (Joint Comprehensive Plan of Action)", nome do acordo sobre programa nuclear de Teerã

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A decisão do presidente americano, Donald Trump, de não certificar o acordo nuclear com o Irã complicará assuntos diplomáticos chave nas Nações Unidas, em temas que vão da Coreia do Norte à Síria - afirmam especialistas consultados pela AFP.

Embora Trump não tenha cancelado o acordo, deixando qualquer decisão nas mãos do Congresso americano por enquanto, um diplomata resumiu o sentimento de muitos: "o acordo morreu".

O anúncio de Trump sobre o Irã na última sexta-feira (16) foi feito quatro meses depois de outra polêmica decisão, a de abandonar o Acordo de Paris sobre mudança climática já firmado por 196 países. O presidente dos EUA alega que seu objetivo é negociar um novo pacto que se ajuste à sua agenda de "America First" - o que muitos consideram impossível.

Essas decisões expõem um distanciamento cada vez maior entre Washington e seus aliados europeus mais próximos. Apesar de mais de um mês de intensos esforços diplomáticos, não se conseguiu impedir o recuo de Trump a respeito de Teerã.

"Essa decisão complicará severamente a diplomacia do Conselho de Segurança em muitas matérias", alertou o especialista Richard Gowan, do Conselho Europeu em Relações Exteriores, após o discurso do presidente americano sobre o Irã.

"Trump mostrou desprezo em relação a seus dois principais aliados no Conselho - Reino Unido e França -, ignorando seus pontos de vista sobre o Irã", afirmou, antecipando que "China e Rússia tentarão enfatizar o quão isolado os Estados Unidos se encontram na ONU".

Alexandra Novosseloff, do Instituto Internacional da Paz, disse que esse quadro favorece chineses e russos, que "se apressam para preencher o vazio deixado pelos Estados Unidos".

- Acordo funciona, diz UE -

O acordo nuclear de 2015 entre Irã, Alemanha e os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos) suspendeu sanções em troca de o Irã renunciar ao desenvolvimento de seu programa nuclear.

Trump alega que o Irã desrespeitou o "espírito" do acordo e ameaçou deixar o pacto, salvo se o Congresso americano corrigir "as importantes falhas" desse que é "o pior acordo do mundo" - segundo ele. Assim, deixou para a Casa, de maioria republicana, a decisão sobre voltar a impor sanções ao Irã. Esse movimento sepultaria o acordo definitivamente.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, afirmou que o acordo nuclear com o Irã "está funcionando e mantém suas promessas", ressaltando que Trump "não tem" a prerrogativa de encerrá-lo.

Gowan acredita que as divisões sobre o Irã vão complicar as conversas sobre outras crises que estão na agenda da ONU, já que, agora, os diplomatas não sentirão que podem confiar nos Estados Unidos.

Entre os temas mais urgentes na pauta, estão o programa nuclear da Coreia do Norte, a Síria e a Ucrânia.

Por enquanto, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, continua sendo bem-vista por seus colegas do Conselho de Segurança.

"Tem um papel excepcional e uma considerável influência interna", comentou um diplomata europeu, acrescentando que ela "recebe ordens diretamente da Casa Branca".

- Mensagem à Coreia do Norte -

Em contraste com o secretário americano da Defesa, Jim Mattis, favorável à permanência no acordo com Teerã, Nikki defendeu firmemente a posição de Trump.

De acordo com um terceiro diplomata, foi de Nikki Haley a ideia de "descertificar" o acordo, em vez de cancelá-lo, como Trump queria inicialmente.

A mesma fonte disse também que Haley não é uma especialista nos meandros do tratado e que sua decisão foi essencialmente "ideológica".

Confrontada com o impulso dos programas nuclear e balístico da Coreia do Norte, Haley conseguiu convencer China e Rússia a apoiarem sanções mais fortes.

Pode ser que isso não volte a acontecer, antecipou Gowan.

"Pyongyang agora deve estar inclusive menos disposta do que antes a negociar com os Estados Unidos, diante do ocorrido com o Irã", adverte.

"Também será mais difícil convencer Pequim, ou Moscou, a apoiarem futuras sanções do Conselho de Segurança contra a Coreia do Norte", completou.

No domingo (15), o governo americano rebateu a ideia de que Trump criou a impressão de que não se pode confiar em Washington.

No programa "This Week" da rede ABC, Nikki declarou que reavaliar o pacto com o Irã "envia uma mensagem perfeita para a Coreia do Norte, e essa mensagem é que não nos comprometeremos com um acordo ruim".

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AFP