Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O então ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour (centro), general britânico Edmund Allenby (esq.) e o alto comissário britânico para a Palestina Herbert Samuel, em 1925, em Jerusalém

(afp_tickers)

A Declaração de Balfour, que completa seu centenário nesta quinta-feira (2), é saudada por Israel como uma contribuição para a fundação do país, mas é criticada pelos palestinos como um marco da catástrofe que os privou de suas terras.

Em 2 de novembro de 1917, o então ministro britânico das Relações Exteriores, Arthur Balfour, indicava que seu governo considerava "favoravelmente a instalação na Palestina de um lar nacional para o povo judeu".

Uma frase de apenas 67 palavras que se tornou, na época, o mais forte apoio de uma grande potência aos objetivos do movimento sionista: o retorno dos judeus às terras de seus ancestrais.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, vai celebrar a data em Londres, onde participará de um jantar oferecido pela premiê britânica, Theresa May.

May disse que marcará essa data com "orgulho", apesar das críticas dessa celebração no país, por conta dos 50 anos de ocupação israelense da Cisjordânia.

"Inclusive, ainda que o Estado de Israel não tenha visto a luz (em 1948) sem a implantação (judaica que o precedeu), sem sacrifício e sem uma vontade de lutar por ele, o impulso internacional foi, de maneira inegável, a declaração Balfour", disse Netanyahu esta semana.

Já os palestinos preveem uma manifestação em Ramala, na Cisjordânia ocupada, na quinta-feira, como parte de sua campanha por um pedido de desculpas da Grã-Bretanha por conta dessa declaração. Os palestinos estudam formas de levar Londres à Justiça por conta do tema.

Para o primeiro-ministro palestino, Rami Hamdallah, a Grã-Bretanha deveria se desculpar por "uma injustiça histórica que cometeu contra o nosso povo" e deveria "corrigi-la, em vez de celebrá-la".

- 'Pedra fundamental' -

Hoje, alguns argumentam que os acontecimentos posteriores à Declaração Balfour - como as políticas contraditórias dos britânicos e os esforços dos sionistas - reduziram sua importância.

Outros consideram sua influência como algo maior, já que esse texto não apenas estabeleceu as bases da criação do Estado moderno de Israel, como também as do conflito entre palestinos e israelenses.

O historiador americano Jonathan Schneer, autor do livro "A Declaração Balfour", estima que tanto israelenses quanto palestinos "têm razão".

"Os israelenses consideram-na como a pedra fundamental do nascimento do Estado judeu, e os árabes, como a de sua desapropriação e de sua miséria", explicou ele, em entrevista à AFP.

Na narrativa histórica, a Declaração se nutriu, de forma irônica, de mitos antissemitas.

Segundo ele, os dirigentes britânicos da época estimavam que a comunidade judaica era capaz de ajudá-los a ganhar a Primeira Guerra Mundial, por causa de sua influência nas finanças e na Rússia.

"Se alguém tiver de escolher os cinco documentos que lavraram a história e a existência de Israel, a Declaração Balfour é um deles", garante Paula Kabalo, diretora do Instituto de Pesquisa Ben Gurion para o estudo de Israel e o sionismo.

- 'Ainda há trabalho' -

Os palestinos julgam a declaração - segundo a qual "nada que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes na Palestina deve ser feito" - como colonialista e até racista.

Foi escrita "como se os palestinos não existissem", denuncia Nabil Shath, um dos principais conselheiros do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

"Somos considerados os 'outros', com direitos civis e religiosos, mas não políticos", sentencia.

Para os palestinos, a Grã-Bretanha - potência que exerceu o mandato no território entre 1920 e 1948 - não conseguiu cumprir seus compromissos.

Durante a guerra que cercou a criação de Israel, 750.000 palestinos foram expulsos, ou tiveram de fugir de suas casas.

Duas décadas mais tarde, durante a guerra dos Seis Dias (1967), Israel tomou a Cisjordânia, a qual ainda ocupa, e Jerusalém Oriental. Além, de ocupá-la, Israel anexou essa parte do território, reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

A continuação da construção de colônias israelenses na Cisjordânia reduz a esperança de uma solução com dois Estados.

Theresa May tenta mostrar que não está alheia a essas preocupações.

"Estamos orgulhosos do papel que desempenhamos na criação do Estado de Israel", declarou a premiê recentemente, ressaltando, porém, que "também devemos ser conscientes do que alguns sentem a respeito da Declaração Balfour e reconhecemos que ainda há trabalho pela frente".

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP