Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Delcy Rodríguez, ex-chanceler e presidente da Constituinte venezuelana, em foto de 29 de julho de 2017

(afp_tickers)

Delcy Rodríguez, que preside desde esta sexta-feira a Assembleia Constituinte venezuelana, é uma das mais aguerridas defensoras da revolução chavista, com uma beligerância tal que ganhou o apelido de "tigresa" do presidente Nicolás Maduro.

Filha de um dirigente comunista, assassinado em 1976, esta advogada de 48 anos foi chanceler de Maduro de dezembro de 2014 até junho passado, quando deixou o cargo para se candidatar à Constituinte.

Como ministra das Relações Exteriores, proferiu um rosário de insultos ao secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, a quem chamou de "mal-feitor" e "mercenário" por impulsionar sanções contra Caracas.

Também teve brigas fortes com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, a quem tacha de "fracassado" e com o do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, a quem chama de "cãozinho do Império".

Quando deixou a chancelaria, Maduro a condecorou com a espada de Bolívar - principal honraria do país - por ter "defendido como uma tigresa" o governo socialista.

Sob sua gestão, a Venezuela iniciou sua saída da OEA e foi suspensa do Mercosul, onde a funcionária protagonizou um alvoroço ao tentar entrar à força em uma reunião do organismo em 14 de dezembro do ano passado.

"Se nos tirarem pela porta, entramos pela janela", desafiou a primeira mulher chanceler da Venezuela após o episódio, do qual saiu com um braço machucado.

Tom doce

Seu fervor diante dos microfones contrasta com o tom doce no tratamento direto. "Meu amor", "minha vida" são expressões habituais usadas por esta mulher morena, de cabelos pretos e óculos de tartaruga.

No entanto, fiel à sua linha-dura, nesta sexta-feira rugiu contra os Estados Unidos, que ameaçou com sanções econômicas à Venezuela se a Constituinte seguir adiante, e outros países que rejeitam a iniciativa.

"Império selvagem e bárbaro, não se meta com a Venezuela", disse.

Também reservou uma dose para a oposição: "se não seguir o caminho democrático e da ação política, a Justiça se imporá", afirmou, em meio a aplausos, após prestar juramento no salão elíptico do Parlamento, de maioria opositora, vestida de vermelho.

"A partir de amanhã vamos agir", advertiu a constituinte, que no sábado passado afirmou, em entrevista à AFP, que a Assembleia não é para "aniquilar o adversário".

Segundo Maduro confirmou nesta sexta-feira, ela também presidirá uma Comissão da Verdade, encarregada de investigar "crimes da direita" na onda de protestos que a Venezuela vive há quatro meses, que deixou 125 mortos.

Foi sugerida como chefe da Constituinte pelo número dois do chavismo, Diosdado Cabello, a quem as apostas davam como titular do órgão, um "suprapoder" que comandará por tempo indeterminado e reescreverá a Constituição promulgada pelo falecido Hugo Chávez em 1999.

No entanto, ela não se sente poderosa. "Não se trata de poder, mas de fidelidade a um projeto histórico", declarou à AFP.

Veia esquerdista

A influência de Delcy Rodríguez cresceu paralelamente à de seu irmão mais velho, Jorge, prominente líder oficialista.

Jorge herdou o nome de seu pai e Delcy, o de sua mãe. Eram crianças quando o pai, Jorge Antonio Rodríguez, foi assassinado nos calabouços do serviço de Inteligência no primeiro governo de Carlos Andrés Pérez (1974-1979).

Ambos foram fiéis à ideologia do pai, enquanto cresciam em El Valle, zona popular do oeste de Caracas. Dirigentes estudantis na Universidade Central da Venezuela (UCV), ele se formou em psiquiatria e ela em advocacia.

Os irmãos Rodríguez simpatizaram com Chávez desde sua tentativa de golpe em 1992 contra o segundo governo Pérez (1989-1993). Foi "um raio de luz", diz a ex-chanceler.

Especializada em Direito Social em Paris, foi diretora de Assuntos Internacionais do Ministério de Minas e Energia em 2003, ministra do Gabinete da Presidência em 2006 e coordenadora da vice-presidência em 2007. Na época, seu irmão era o vice-presidente.

Segundo a imprensa, uma discussão com Chávez provocou seu afastamento do poder até a chegada de Maduro, que a nomeou ministra de Comunicação e Informação e, em seguida, chanceler.

AFP