AFP

O diretor interino do FBI, Andrew McCabe, dá depoimento em Washington DC, em 11 de maio de 2017

(afp_tickers)

A repentina demissão de James Comey como diretor do FBI (a Polícia Federal americana) não interrompeu a investigação em andamento sobre a interferência da Rússia na eleição de 2016 nos Estados Unidos - garantiu o diretor interino da instituição, Andrew McCabe, nesta quinta-feira (11).

"Não houve qualquer esforço de impedir nossa investigação. Ninguém pode impedir que os homens e as mulheres do FBI façam o correto: proteger os americanos e defender a Constituição", declarou McCabe, perante a Comissão sobre Assuntos de Inteligência no Senado americano.

McCabe destacou o "privilégio" de trabalhar com Comey ao longo de muitos anos: "Tenho o diretor Comey na mais alta estima. Sinto o maior respeito por sua capacidade e por sua integridade".

Comey "desfrutou de um amplo apoio dentro do FBI e continua desfrutando no dia de hoje", garantiu McCabe.

A decisão de Donald Trump de demitir Comey na terça-feira (9) provocou um terremoto político e deflagrou comparações imediatas com o caso do escândalo Watergate, que levou à renúncia de Richard Nixon em 1974.

- 'Ia demiti-lo'

Comey era responsável por uma das mais sensíveis investigações já feitas sobre as suspeitas de ingerência da Rússia de influenciar a disputa presidencial no ano passado e se a campanha de Trump fez parte disso.

A Casa Branca negou categoricamente que a decisão de Trump de demitir Comey tenha alguma relação com essa investigação sobre a Rússia, alegando, simplesmente, que o presidente havia perdido a confiança no diretor da Polícia Federal.

Ontem, porém, funcionários não identificados garantiram aos principais jornais americanos que Comey foi demitido pouco depois de iniciar os trâmites para solicitar ao Departamento de Justiça mais recursos para sua investigação sobre a Rússia.

Para complicar mais a situação, ainda não está claro se o vice-procurador-geral adjunto, Rod Rosenstein, tomou a iniciativa de recomendar a demissão de Comey, ou se apresentou sua recomendação atendendo a um pedido específico da Casa Branca.

Em declarações à rede NBC, divulgadas nesta quinta-feira, Trump garantiu que, de qualquer forma, já havia decidido demitir Comey.

"Eu ia demiti-lo, sem importarem as recomendações", afirmou o presidente, que chamou Comey de "fanfarrão" que deixou "o FBI no caos".

O presidente admitiu, porém, que perguntou a Comey, se ele estava sendo investigado pelo FBI.

"De fato, eu lhe perguntei, sim. Disse: 'é possível que me diga se estou sob investigação?'", contou o presidente, lembrando-se de uma das três conversas sobre esse assunto com Comey - duas por telefone, e a outra, em um jantar.

"Ele disse: 'você não está sob investigação'", completou Trump.

- Uma 'invenção'

Hoje, Comey participaria dessa sessão da Comissão do Senado, junto com outros chefes da Inteligência americana. Foi substituído de emergência por McCabe, que ocupará a direção do FBI até que um novo diretor seja designado.

Agendada há várias semanas, essa sessão na Comissão de Inteligência do Senado deveria se concentrar nas ameaças gerais à segurança americana, mas a comoção política provocada pela súbita demissão de Comey se tornou o tema dominante.

Além de McCabe, participaram da sessão desta quinta o diretor nacional de Inteligência, Daniel Coats; o diretor da CIA, Michael Pompeo; e o chefe da Agência de Segurança Nacional (NSA), almirante Michael Rogers.

Em janeiro deste ano, várias agências americanas de Inteligência disseram estar convencidas, em diferentes graus, de que a Rússia interferiu na eleição presidencial do ano passado, beneficiando Trump.

As agências alegam, em particular, que autoridades russas de alto escalão autorizaram a pirataria de e-mails do Comitê Nacional do Partido Democrata e seu vazamento pelo site WikiLeaks, para denegrir a imagem de Hillary.

Interrogadas hoje pelos senadores, todas as autoridades de Inteligência disseram estar convencidas de que a avaliação feita em janeiro era correta.

Ontem, quarta-feira, Trump e o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, reuniram-se com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov. A conversa teria se concentrado em formas de melhorar a relação bilateral.

Em uma entrevista coletiva após o encontro, Lavrov classificou essas denúncias como "invenção".

AFP

 AFP