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Donald Trump em 13 de maio de 2017 na Casa Branca

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A comoção pela demissão do diretor do FBI James Comey por parte do presidente Donald Trump nesta semana não só gerou um rebuliço político em Washington, como também revelou divergências em sua equipe de comunicação.

Foi uma semana complicada para o magnata republicano e seus porta-vozes, com uma grande quantidade de matérias negativas na mídia. Seus assessores transmitiram uma mensagem bastante dispersa, o que teria enfurecido Trump.

O presidente ameaçou pelo Twitter acabar com os informes diários fornecidos pela Casa Branca à imprensa.

"Talvez a melhor coisa a fazer seja cancelar toda futura coletiva de imprensa e, em nome da precisão, distribuir declarações por escrito?", questionou, admitindo que sua própria equipe luta para manter-se em dia com sua "ativa" presidência.

Trump reafirmou essa ideia em uma entrevista à Fox News, quando disse: "Simplesmente não as faremos (as coletivas de imprensa), a menos que sejam a cada duas semanas e eu mesmo as faça. Não as faremos. Acho que é uma boa ideia".

A mídia "tem um nível de hostilidade que é incrível e é muito injusto", declarou ao canal em uma entrevista que foi ao ar no sábado.

No entanto, os críticos de Trump acreditam que o tropeço de sua operação midiática foi culpa dele. "Ele precisa capacitar sua equipe e seus porta-vozes para entender o que está acontecendo e para comunicar bem isso ao mundo", disse à MSNBC Josh Earnest, ex-porta-voz do antecessor de Trump, Barack Obama.

O ex-diretor de comunicação da Casa Branca, Jen Psaki, disse que os eventos da semana geraram dúvidas sobre se os porta-vozes de Trump estão preparados.

"Isso é preocupante não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo", acrescentou Psaki, ex-porta-voz do Departamento de Estado, à AFP.

- Redemoinho de histórias -

Quando a notícia bombástica sobre a demissão de Comey veio à tona na terça-feira, a Casa Branca se esforçou para explicá-la e sua série de declarações contraditórias foi rapidamente ridiculizada.

Os funcionários disseram primeiro que Comey havia sido demitido por sua conduta na investigação sobre o uso de e-mail privado pela candidata presidencial democrata Hillary Clinton quando estava no Departamento de Estado.

O vice-presidente Mike Pence disse que a medida, que seguiu a recomendação do procurador-geral Jeff Sessions, foi a "decisão correta no momento adequado".

Mas o próprio Trump recuou mais tarde, admitindo que a decisão foi baseada, pelo menos em parte, no fato de que Comey estava conduzindo uma investigação sobre a suposta interferência da Rússia nas eleições de 2016 e o possível envolvimento do círculo de Trump com Moscou, uma ideia que, segundo o presidente americano, foi "fabricada" pelos democratas.

Depois, Trump advertiu a Comey que não falasse com a imprensa sobre suas reuniões e sugeriu que poderia haver "registros" de suas conversas privadas no Salão Oval.

O porta-voz da Casa Branca Sean Spicer, que havia estado ausente durante alguns dias, voltou à cena na sexta-feira, enfrentando os jornalistas.

Questionado se Trump estava gravando escondido as reuniões do Salão Oval, Spicer disse que não tinha "mais nada a acrescentar".

Sobre o tuíte para Comey, disse: "Isso não é uma ameaça. Ele só ressalta um fato. O tuíte fala por si só".

Na entrevista à Fox News, Trump defendeu seus subordinados, definindo Spicer como "um maravilhoso ser humano" e a porta-voz Sarah Huckabee Sanders como uma "adorável jovem mulher".

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