A Câmara de Representantes dos Estados Unidos adotou nesta sexta-feira uma medida destinada a restringir a capacidade do presidente Donald Trump de atacar o Irã, por temer que suas agressivas políticas possam levar o país a uma guerra desnecessária.

A Casa liderada por opositores democratas aprovou uma emenda a um abrangente projeto de lei de defesa que proibe o financiamento de operações militares contra o Irã, exceto no caso de operações em defesa própria ou explicitamente aprovadas pelo Congresso.

Uma medida semelhante foi derrubada no Senado, onde o partido republicano de Trump tem a maioria. Assim, ambas casas devem negociar os termos para finalizar o projeto de lei de defesa.

O congressista democrata Ro Khanna, que promoveu a emenda, explicou que a medida reflete do cansaço dos Estados Unidos com a guerra.

"Francamente, o que (a medida) vai prevenir é aquilo que o presidente prometeu aos americanos que não faria: entrar em outra longa e cara guerra no Oriente Médio", disse na casa legislativa.

Trump, que abandonou o acordo nuclear com o Irã e, em seguida, impôs fortes sanções contra Teerã, disse que autorizou no mês passado um ataque à República Islâmica após a queda de um avião espião não-tripulado americano, mas que cancelou a orientação no último momento.

O presidente já afirmou que acredita ter o direito de atacar o Irã. Os governos americanos tem utilizado a autorização de força aprovada pelo Congresso após os ataques de 11 de setembro de 2001 para justificar uma grande quantidade de operações em todo o mundo.

Michael McCaul, principal republicano no Comitê de Assuntos Exteriores da Câmara de Representantes, classificou a medida de "imprudente" e disse que os militares não deveriam ser detidos por um processo legislativo potencialmente longo.

"Isto vai atar as mãos dos nossos militares num momento perigoso. É necessário que o Irã e seus aliados terroristas pensem duas vezes antes de atacar os americanos, nossos amigos ou nossos interesses", declarou.

Mas 27 republicanos e o ex-republicano agora independente Justin Amash se uniram à maioria democrata e apoiaram a emenda.

O representante Matt Gaetz, um republicano que patrocinou a medida ao lado de Khana, acusou seus companheiros de partido de não defender as tropas dos EUA, que podem morrer se forem para uma nova guerra.

"Se vocês estão tão convencidos do caso contra o Irã, permitam meus amigos famintos de guerra - alguns dos quais que já sugeriram que deveríamos invadir a Venezuela, Coreia do Norte e provavelmente outros países antes da hora do café da manhã - trazer sua autorização para utilizar a força militar contra o Irã", disse.

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